8 de dez. de 2015

Losing him

Nasci no fim dos anos 80 (1988) e hoje estou com 27 anos. A minha memória não é das melhores, porém, algumas coisas me marcaram de tal forma que é como se tivessem acabado de acontecer. Memórias bem vivas.

Uma dessas memórias é de quando ouvi My Favorite Headache. Estava na Bahia passando férias com a minha família e o meu irmão colocou esse álbum no rádio. "Música nova do Rush?!?" perguntei com um sorriso no rosto e o meu irmão disse "sim" e em seguida riu dizendo "brincadeira, é o cd solo do Geddy". E mesmo assim foi uma sensação ótima ouvir algo "novo" após um hiato tão grande.

A primeira vez que vi o show deles foi no Estádio do Morumbi em 2010. Arquibancada, longe demais do palco, bêbados atrapalhavam o show (e um deles chegou a cair em cima de mim e do meu marido), mas cara, era o Rush ali!

Depois consegui vê-los mais de perto na Apoteose no Rio de Janeiro. Lembro que estava com crise de asma e mesmo assim corri o máximo que pude para chegar na grade e consegui. Lembro do Geddy e do Alex fazendo graça na minha direção e do quanto aquilo me deixou feliz. E ver o Neil sorrindo valeu o preço do ingresso e a falta de ar.

Outro dia li um comentário no Facebook sobre bandas antigas que me deixou engasgada. O rapaz preferia (e gostava) de bandas novas porque as antigas só tocam músicas antigas e não se renovam. É a tal da receita de bolo seguida à risca que nunca falha, logo, pra que colocar mais açúcar ou mais farinha se vai ficar uma merda, não é mesmo? Talvez esse rapaz tenha razão em relação a algumas bandas, mas com o Rush era (é) diferente. 60 e poucos anos nas costas e os caras ainda estudavam (estudam) para melhorarem (!!!) suas técnicas. Lançaram álbuns novos, letras incríveis como The Garden e Faithless e seguiram em turnê mesclando músicas antigas com novas, estruturando o palco com piadinhas e momentos marcantes. Tudo isso feito por prazer e não por obrigação. E isso, meus senhores, poucas bandas conseguem ter e manter o equilíbrio.

Como nasci em 1988 e gosto de bandas antigas infelizmente minha sina é ver os artistas que gosto morrerem ou as bandas acabarem. E hoje a Olívia, filha do Neil Peart surpreendeu não só os seus novos amigos, mas a todos os fãs de Rush:

 "Lately Olivia [ Neil’s daughter] has been introducing me to new friends at school as ‘My dad – he’s a retired drummer.’ True to say, funny to hear."*



Eu não sei em que pé está essa situação, mas normalmente as crianças são mais sinceras e verdadeiras. E dói ler uma coisa dessas. Você nunca pensa no fim de absolutamente nada - a não ser que você esteja literalmente cagando e o almoço está pronto - e quando o fim acontece fica aquela sensação esquisita de "puts, e agora?".

E ao mesmo tempo eu não posso ser egoísta e desejar que eles toquem até a dentadura do Geddy sair voando após dar um berro bem desafinado com sua voz desgastada com o tempo, ou os braços do Neil fiquem inchados feitos balões finos para fazer cachorros ou qualquer bicho inflável bizarro ou o pobre do Alex perca seus dedos de tantos solos engasgados e cansados.

Fica o sentimento de tristeza e de gratidão. Gratidão por eles terem passado pela minha vida e por terem marcado de tantas formas maravilhosas. Gratidão pelas suas letras e melodias, pelos seus sorrisos mesmo com tanta dor e fadiga. Gratidão por terem tocado Losing It e por finalmente ter entendido o seu real significado: é muito mais difícil a perda de um talento do que jamais tê-lo alcançado na vida. E isso eles alcançaram com muita maestria. 


Nenhum comentário:

Postar um comentário