21:36 -
Posted by Erika Piffer -
Já que o blog não tem posts recentes, vou postar uma resenha que fiz para uma das disciplinas que mais me assombraram nesse semestre. Espero que gostem!
MORAIS, Gus. Por uns bytes de memória. Disponível em: . Acesso em: 03 nov. 2011.
Por uns bytes de saudade...
Será que a Internet desumaniza ou afasta as pessoas? Como evoluíram as redes sociais nas últimas décadas? Essas são algumas perguntas que podem ser feitas a partir da leitura de "Por Uns Bytes de Memória", por Gus Morais. Graduado em Publicidade e Propaganda pela Universidade de São Paulo, atua desde 2007 como ilustrador de revistas e livros para diversas editoras.
O texto se passa em três linhas de tempo: passado (iniciando em 1996), época em que o autor começou a usar a Internet; após isso, passa ao presente, com os novos programas e redes sociais que evoluíram para um caminho diferente do esperado por Gus (que entende que as coisas apenas tomaram novas formas, e negar isso é cair na “cegueira da nostalgia”); por fim, avança para o futuro, apresentando novas tecnologias como homens com diversos aparelhos acoplados em seus corpos e usando robôs enormes para se locomoverem. A história termina com um desses homens robô, talvez o próprio Gus, olhando uma foto sua quando pequeno, realçando que mesmo com o avanço da tecnologia o ser humano continua se relacionando com outras pessoas e seus sentimentos continuam vivos, como por exemplo, a saudade.
Nostalgia. Essa é a palavra que define "Por uns bytes de memória". Com maestria, o autor faz um resgate na memória dos nerds que viveram todos os acontecimentos e mudanças daquela época e que hoje leem o webcomic com lágrima nos olhos, trazendo à tona lembranças e saudade.
Durante a década de 1990 a Internet no Brasil teve um crescimento explosivo, especialmente entre 1996 e 1997 (GUIZZO, 1999), época em que o autor começou a usar essa nova tecnologia. De toda a sua turma só ele tinha esse privilégio, pois para ter um computador e um modem era custoso demais. Com o passar dos anos alguns amigos também começaram a acessar, dando uma nova motivação para Gus continuar no mundo virtual.
A conexão daquela época era discada e a cobrança das ligações era exorbitante. Com isso, Gus, assim como muitos dos adolescentes da época, utilizava a Internet em horários da madrugada, quando apenas um pulso era cobrado por chamada. A lentidão da conexão era outra característica marcante, fazendo com que músicas que eram baixadas chegassem em um ou dois dias. Hoje em dia, se pararmos para pensar numa possibilidade dessas, achamos que é um absurdo e até surreal. Porém, ainda existem muitos Gus Morais pelo mundo afora que ainda estão na etapa da "Internet discada", descobrindo um mundo virtual que já conhecemos de ponta a ponta.
Com o avanço da tecnologia, novas redes sociais e programas de bate-papo surgiram ao longo dos anos. Aquela Internet que Gus Morais descreve com tremenda nostalgia parece que ficou para trás. Só parece. A tecnologia evoluiu e continua evoluindo, porém, as pessoas continuam se relacionando à sua maneira: formam grupos, comunidades, redes sociais com interesses em comum; relacionam-se, reencontram-se e têm oportunidade de fazer novas amizades, provando que o virtual não se opõe ao real (SANTANA , 2007).
Engana-se quem acha que as histórias em quadrinhos existem só para mostrar situações engraçadas ou irônicas. Todo e qualquer tipo de quadrinho tem o poder da narração, com o qual a história é retratada e registrada através de uma sequência de imagens. O quadrinho, como mídia, não se resume apenas a contar fábulas de super-heróis e vilões; pode retratar qualquer tipo de narrativa, seja ela verídica ou fantasiosa (GUIMARÃES, 2010). O webcomic de Gus Morais faz um resgate ao imaginário afetivo coletivo, demonstrando como a Internet mudou dos anos 90 em diante, trazendo uma mensagem séria e um alerta para aqueles que fazem parte da geração Y: por mais que a tecnologia seja crescente e se atualize rapidamente, os sentimentos dentro de nós continuam os mesmos.
Referências
GUIZZO, Érico. Internet: o que é, o que oferece, como conectar-se. São Paulo: Editora Ática, 1999. 112 p.
SANTANA, Camila Lima Santana e. Redes sociais na internet: potencializando interações sociais. Hipertextus Revista Digital, Pernambuco, v. 1, p.1-8, 02 maio 2007. Disponível em: . Acesso em: 03 nov. 2011.
GUIMARÃES, Edgard. Uma caracterização ampla para a história em quadrinhos e seus limites com outras formas de expressão. In: _______. Estudos sobre história em quadrinhos. João Pessoa: Marca de Fantasia, 2010. cap. 2.
22:17 -
Posted by Erika Piffer -
Já falei em algum post que faço
Biblioteconomia, porém, nunca expliquei o que nós realmente fazemos e por mais fácil que pareça, não consigo dar uma definição ou explicação que esclareçam todas as dúvidas e curiosidades.
O nosso símbolo é a
Lâmpada de Aladim e o
Livro Aberto.
A Lâmpada de Aladim, desde os tempos antigos, representa a incessante vigília, a atividade intelectual, o trabalho árduo das investigações lítero-científicas. Já o Livro Aberto, significa o oferecimento da educação e da cultura. Sempre disse que nós somos os disseminadores da informação. Somos os mediadores da informação que vocês precisam e a nossa "missão" (eu diria que uma das) é fazer com que essa informação chegue de forma rápida e que seja satisfatória.
Não é uma tarefa fácil selecionar e disseminar uma informação. Muitos usuários às vezes não fazem a menor ideia do que precisam ou dão informações incompletas e soltam uma incógnita do tamanho de bonde para decifrar. Às vezes a pesquisa torna-se difícil, mas não tem nada mais gratificante do que desvendar o mistério e satisfazer as dúvidas do usuário. A nossa missão só está 100% cumprida quando o usuário sai da biblioteca com pelo menos alguma ideia do que aquilo possa ser (mesmo que não seja possível encontrar exatamente o que ele procura).
Quando um bibliotecário perde o real significado do "Livro Aberto" e da "Lâmpada de Aladim", aquela organização falhará miseravelmente.
Quem teria tesão de entrar numa biblioteca dessas?Amparado a esses dois significados, não posso deixar de citar o nosso pai
Ranganathan que elaborou cinco leis fundamentais instituidas para a Biblioteconomia e que vigoram até os dias atuais. São elas:
Os livros são para serem usados - o livro é um meio que impulsiona o conhecimento. E podemos observar a importância de uma biblioteca na seguinte frase: "quem tem informação, tem poder". Aponta para o livro como um meio e não como tendo um fim em si mesmo.Todo leitor tem seu livro - o bibliotecário deve fazer o estudo dos usuários, observando a clientela para preparar o acervo. Aponta para a seleção de acordo com o perfil do usuário.Todo livro tem seu leitor - refere-se a disseminação da informação, em que se deve divulgar os livros existentes em cada biblioteca. Aponta para a importância da divulgação do livro, sua disseminação, antecipando a estética da recepção.Poupe o tempo do leitor - a arrumação e catalogação dos documentos diminui o tempo necessário para encontrar a informação desejada. Aponta para o livre acesso às estantes, o serviço de referência e a simplificação dos processos técnicos.Uma biblioteca é um organismo em crescimento - o bibliotecário deve controlar esse crescimento, verificando qual a informação que está sendo usada, através de estatísticas da consulta e empréstimo. Decorre da explosão bibliográfica que exige atualização das coleções e previsão do crescimento da área ocupada pela biblioteca.Essas leis devem fazer parte do cotidiano de qualquer bibliotecário. Sem elas, a biblioteca perde sua razão de existir. Além disso, sem um atendimento eficiente e sem uma recepção educada e gentil e ainda, sem um marketing forte para divulgar a biblioteca as chances de espantarem seus usuários aumentam. Como as pessoas vão saber que aquela salinha, que aquele prédio bonito ou caindo os pedaços é uma biblioteca? Pelo boca-a-boca é que não vai ser...
Atrasos sempre acontecem. Não é por isso que você irá tratar o usuário da pior forma possível, certo?E não misture as coisas: seus problemas são seus problemas, o usuário não tem nada a ver com isso!Outra coisa interessante da nossa profissão é que também temos um anel!
O anel deve ser de ouro, com a pedra preciosa ametista de cor violeta (é uma variedade de quartzo, encontrada no Brasil, Uruguai, Sibéria e no Ceilão), que é a pedra da amizade, que reforça a memória, tendo em sua lateral a lâmpada de Aladim e o livro aberto em platina, para ficarem em relevo.E além do anel, também temos o nosso dia!
O Dia do Bibliotecário, no Brasil, é comemorado em 12 de março em homenagem a Manuel Bastos Tigre (nascido em 12 de março de 1882). Figura de múltiplos talentos e profissões formou-se engenheiro, mas também exerceu ocupações como jornalista, poeta, compositor, teatrólogo, humorista, publicitário e, especialmente, bibliotecário. É considerado o primeiro bibliotecário por concurso no Brasil, atuando no Museu Nacional do Rio de Janeiro.O Decreto Federal nº 84.631, de 09/04/1980, assinado pelo então presidente da República João Figueiredo, instituiu, além do Dia do Bibliotecário, a Semana Nacional do Livro e da Biblioteca (de 3 a 29 de outubro).O bibliotecário é um profissional de nível superior (bacharelado em Biblioteconomia), cujo exercício é regulamentado por lei e fiscalizado por Conselhos Regionais de Biblioteconomia.Catalogamos, classificamos, indexamos, gerenciamos uma equipe e os trabalhos que envolvem a organização e a disseminação do acervo, selecionamos, adquirimos, atendemos, implementamos sistemas de informação, conservamos e restauramos obras (sejam elas raras ou não)...
Podemos atuar em centros de documentação, empresas, escritórios de advocacia, centros culturais, museus, arquivos, bibliotecas públicas, particulares e universitárias...
Integramos e desenvolvemos estudos e pesquisas em diversas áreas; fazemos parte dos processos das empresas na tomada de decisão e na certificação de qualidade; atuamos como analista de conteúdo de Internet; administramos, desenvolvemos e mantemos bancos de dados, sistemas de informação, bibliotecas digitais e virtuais; organizamos sites e portais corporativos, realizando a arquitetura de informação; implementamos e integramos os processos de gestão de conhecimento de organizações...Em suma, não é uma profissão como outra qualquer. É uma profissão delicada que exige muita atenção, dedicação, esforço e principalmente, pró-atividade. Enfrentamos todos os dias diversos obstáculos e incógnitas. Ganhamos um salário que ainda é baixo, mas somos valorizados em grandes empresas como Petrobrás, Vale, FINEP... Provamos todos os dias que somos úteis e necessários mesmo que muitos digam o contrário. E nós, jovens bibliotecários, temos a missão de tirar essa imagem de que o bibliotecário é sempre uma mulher ou homem de cara fechada, que não disponibiliza todas as informações e que está sempre com "má vontade" e/ou sem saco para atender os usuários. Esse bibliotecário é coisa do passado e cabe a nós tirar esse medo e essa fantasia de que somos os "monstros da informação".
Quanto ao Google ter tudo e ser uma "ameaça" para o nosso futuro... A tecnologia estará sempre presente. Cabe a nós conciliar com a nossa profissão e tirar proveitos positivos disso. Mas uma coisa é certa: por mais informação que o Google possa ter, nem sempre ela será de fonte confiável e/ou útil para o leitor. E é aí que intervimos, e é aí que o bibliotecário mostra o quanto é útil e necessário para o cotidiano de qualquer pessoa.
Fontes:
http://oserbibliotecario.blogspot.com/2007/03/o-que-faz-um-bibliotecrio.html
http://bibliocomics.blogspot.com/
17:46 -
Posted by Erika Piffer -
O final de semana tinha tudo para ser perfeito. Sexta-feira iria no show do Pouca Vogal (Humberto Gessinger e Duca Leindecker) e sábado no show do Pain Of Salvation. Por um momento pensei em não ir no show do Pouca Vogal por ser tarde (horário previsto para começar era 23h e nesse dia trabalhei até 19h e peguei um trânsito delicioso na 24 de maio...), mas acabei mudando de ideia e fui com o meu namorado Yanko (ele me deu o ingresso de presente do dia dos namorados :P).
Chegamos na Lapa, comemos uma pizza na barraca de uma tia gente boa e conversávamos como a Lapa mudou "pra melhor" no quesito iluminação, claro. Assim que terminamos de comer, seguimos para a fila que era bem pequena e às 22h os portões abriram. Ficamos na parte de cima do Circo Voador, um lugar que dá pra ficar sentado mas que não foi planejado para este fim. Enquanto o show não começava e a playlist que estava rolando de fundo era tão entediante quanto a espera, ficamos sentados ao lado da câmera do Circo Voador. Visão perfeita, de frente pro palco, bacana de se ficar até que...
...
- Ô cabeludo!
- ...
- Ô cabeludo! Ô de azul! Ô gordinho!
- ...
- Ô BALEIA!
- Acho que o cara está falando comigo.
- Ô BALEIA!
- Algum problema?
- Senta aí, o show vai começar!
- Não vou sentar.
- Senta aí, eu quero ver o show!
- Yanko, eu não vou assistir o show sentada. Acho falta de respeito, ainda mais aqui que não é lugar pra ficar sentado.
- Não vamos sentar.
- *pessoas jogando copos descartáveis nas nossas costas*
- *gritos de senta! senta! senta!*
- Senta aí menina!
- Não vou sentar, aqui não é camarote! Se você quer ver o show que fique em pé!
- Eu vou jogar água em vocês!
- Jogaram água na minha cabeça.
- Jogaram?!
- Sim.
- Ô cara, dá pra parar de jogar água na gente?
- Só vou parar se vocês sentarem!
- Então chama o segurança e pergunta pra ele se devemos sentar ou não.
- Não vou chamar porra nenhuma de segurança, senta aí ou vou jogar água!
- Pode jogar cara, não sou feito de açúcar.
E aí foi. Ele jogou praticamente uma garrafa inteira de água em nós dois. E não sentamos em nenhum momento do show e quero acreditar piamente que em dois momentos do show o Humberto "brindou" olhando pra mim. Só de pensar que isso é possível, valeu toda a água que foi jogada na minha cabeça e nas costas do Yanko.
Saí de lá me perguntando como que pode uma pessoa ser tão estúpida e tão infantil. Parem e pensem: chamar uma pessoa de BALEIA é digno de crianças de 5ª série. Fora que se a coisa fosse feder no fim do show, chamaria a polícia e iria fazer um B.O. por preconceito. Mas no fim das contas tudo deu certo, as pessoas ficaram putas mas isso é detalhe da falta de educação delas. Pagar pra ver um show que não é pra ver sentado e não prestigiar o artista como se deve e ainda arrumar discussão com quem é fã há mais de 10 anos por estar em pé... Tem que ter muito pé no chão e saco para aturar gente assim. O bom humor reinou e a nossa educação também.
No sábado, passamos o dia na casa de um amigo super gente boa. Ele pediu para a mãe dele fazer um almoço árabe e foi muito divertido tocar Guitar Hero depois de tanto tempo sem encostar num troço desses. Muitas piadas foram feitas e foi um dia agradável, daqueles que a gente conta nos dedos quantos dias faltam pro próximo encontro do tipo...
Deu a hora de ir ao show do Pain Of Salvation e saímos rumo ao Hard Rock Café que fica na Barra. Uma fila enorme estava do lado de fora e mais uma vez, ficamos esperando e é claro, se divertindo com os comentários dos fãs:
- Por que o BE é o pior álbum dos caras!
- Disco Queen é muito foda!
E fui obrigada a pegar meu fone e a ouvir Reign Of Kindo para abstrair daquela maluquice. Afinal, dizer que o Be é o pior álbum dos caras a pessoa só pode ser maluca ou não soube ouvir o álbum. Mas... Gosto é gosto.
Encontramos alguns amigos na fila (óbvio) e um deles foi o Robertinho e seu irmão, Pedrinho. Muito bacana reencontrá-los, os caras são fodas. Fiquei feliz em vê-los depois de tanto tempo. Não desmerecendo os outros amigos, mas acho que fazem uns 2 anos que o Robertinho sumiu do bonde dos metaleiros. Também fiquei feliz ao ver o Jasom assistindo o show, por mais que ele tenha conhecido os integrantes no dia anterior e tenha visto o show de 2005 (foi 2005? nem lembro mais!), acho bacana quando as pessoas realizam sonhos e/ou conseguem atingir um objetivo. Sei lá, sou meio boboca com esse tipo de coisa.
No show, o som estava uma titica e só com o passar das músicas é que foi melhorando. Tocaram Black Hills (uma das músicas que jamais passou pela minha cabeça vê-la ao vivo) e que faz parte da minha história com o Yanko. Quando éramos amigos, ele passou essa música (na época não gostava taaanto assim de PoS) e falou: "ouve essa música! ela é muito foda!!" e escutava todo santo dia para "atrair" a atenção dele no MSN. Bobona né? Eu sei. :)
Nesse show não teve problema nenhum e posso dizer que tudo deu certo (menos pros caras da banda que tiveram que enfrentar cordas quebradas, som ruim etc).
Saímos do Hard Rock Café direto pro Outback. Peguei no celular e recebi uma mensagem da minha tia:
"Oi minha linda, tudo bem? A tia tem uma notícia ruim pra te dar, o vo faleceu de ontem pra hoje. Beijo tchau I love you".
E fiquei a noite inteira pensando: "que vô?! será que é o vizinho que ela chama de vô?" E tentei aproveitar o resto da noite com o pessoal, mas aquilo não saiu da minha cabeça.
No dia seguinte, mandei uma mensagem perguntando se era esse vô (vizinho dela) e comecei a arrumar o quarto (afinal, como passamos o final de semana "fora de casa", acumulamos algumas coisas e no dia seguinte voltaria pro pensionato, logo, tinha que arrumar as minhas coisas também e blablabla). Recebi a mensagem da minha tia dizendo que quem tinha falecido era o meu bisavô Faustino e eu simplesmente não consegui processar o que senti. Soltei tudo uma vez, uma explosão que até agora não sei como saiu tudo de uma vez. Acho que se não estivesse com o Yanko naquele momento, não sei o que aconteceria. Uma mistura de raiva e tristeza me dominou de tal maneira que não conseguia falar, não conseguia pensar em nada, só conseguia chorar.
Passado essa onda, entrei na Internet e fui falar direto com a minha mãe. Sentia (e ainda estou sentindo) meu peito cansado, angustiado, como se tudo de ruim acontecesse de uma vez só. Sabe aquela sensação de "será que isso nunca mais vai acabar?" e aí quando você se dá conta passou? Pois é, estava exatamente assim.
Ele estava numa idade avançada, porém, não tinha doença alguma. Foram dois infartos, um no asilo e outro no hospital e ele veio a falecer de sexta pra sábado (e só "soube" no sábado a noite).
O meu sentimento de revolta era tão grande por estar longe e não poder estar do lado da minha avó e da minha mãe que fiquei chorando por estar de mãos atadas e não poder fazer nada. Mais revoltada fiquei quando soube que os meus primos não avisaram quando o primeiro infarto aconteceu e que ele estava internado num bairro próximo. Só avisaram horas antes do enterro, num total descaso principalmente com os sentimentos da minha avó que era filha dele e tinha o direito de saber desde o início. Fiquei revoltada por darem a desculpa da greve de ônibus de São Bernardo como se isso justificasse ou explicasse tal atitude, mostrando o quanto eles cagam e andam para os sentimentos dos outros, ou melhor, das pessoas que diziam ser da família.
Laços de Família à parte, ainda estou muito abalada e muito magoada com a morte do meu bisavô. Muitos dizem que não devo ficar triste tampouco magoada, mas sou humana e não tem como virar para o meu coração e dizer para sentir diferente. O meu luto é assim, sempre foi assim. Passo dias pensando na pessoa, pensando nos momentos que tive com ela, choro a qualquer hora a qualquer lugar, ao ouvir uma música que "casa" bem com a situação... Não consigo levar as coisas no meu lado racional, o emocional domina. A última vez que o encontrei foi no casamento da minha prima, conversamos bastante e foi ele quem levou as alianças. O meu irmão mais velho até cogitou fazer o mesmo no casamento dele que será em janeiro... Enfim, foi algo que me derrubou, ainda mais ele que estava em um lugar que não era a casa dele e as pessoas ao seu redor não eram a sua família.
Não consigo lidar com a morte. Não consigo entender, sinto medo, sinto uma angústia sem fim quando penso nesse assunto. Me dá raiva por ver que ela sempre leva quem não deve ir, mas quem sou eu pra dizer quem deve ir ou não? Sou um nada perto de quem "manda e desmanda" nisso. Mas continuo com uma interrogação enorme quando o assunto é morte e o pior é que a tendência com o passar dos dias e dos anos é ver mais pessoas partindo. A não ser que inverta essa situação. Nunca se sabe. "A vida é doce".
Queria muito dar um abraço na minha avó e na minha mãe, mas não posso ir agora. Acho que vir pro RJ tem um lado muito muito muito ruim que é o de ver coisas ruins acontecendo e 450km te deixar de mãos atadas. Só as paredes, só o laptop, só as músicas e os meus ursos de pelúcia sabem o que acontece num quarto minúsculo quando se trata de tristeza. Sentimentos que ninguém sabe quais são, sentimentos que só nós sabemos quais são. Sentimentos que não gostaria que ninguém sentisse e que só nós sabemos. E por mais que eu fale e as pessoas não acreditem neles, eles estão aqui dentro. E mesmo que as pessoas digam "é só um bisavô", "é só um cachorro que morreu", "é só uma pessoa que conhecia de vista", ninguém além de você sabe quais são esses sentimentos que sobem e descem como se estivessem num elevador. E por mais que exista um poço e eles estão escondidos quando o elevador fica emperrado, eles sempre aparecem. Não adianta fugir ou fingir que está tudo bem quando não está. É enganar a si mesmo, é esconder no fundo do poço o seu real sentimento e viver como se fosse um boneco de plástico com emoções falsas. Não sou dessa laia, não levo tudo na racionalidade para não sentir tristeza, mágoa... Sou humana. E o meu capítulo 3 se encerra num luto que espero não passar por isso tão cedo.
22:05 -
Posted by Erika Piffer -
Losing Time / Grand Finale - Dream TheaterLosing Time / Grand Finale
She dresses in black everyday
She keeps her hair simple and plain
She never wears makeup
But no one would care if she did anyway
She doesn't recall yesterday
Faces seem twisted and strange
But she always wakes up
Only to find she'd been miles away
Absence of awareness
Losing time
A lapse of perception
Losing time
Wanting to escape
She had created a way to survive
She learned to detach from herself
A behavior that kept her alive
Hope in the face of our human distress
Helps us to understand the turbulence deep inside
That takes hold of our lives
Shame and disgrace over mental unrest
Keeps us from saving those we love
The grace within our hearts
And the sorrow in our souls
Deception of fame
Vengeance of war
Lives torn apart
Losing oneself
Spiraling down
Feeling the walls closing in
A journey to find
The answers inside
Our illusive mind
She doesn't recall yesterday
Faces seem twisted and strange
But she always wakes up
Only to find she'd been miles away
Absence of awareness
Losing time
A lapse of perception
Losing time
Wanting to escape
She had created a way to survive
She learned to detach from herself
A behavior that kept her alive
Hope in the face of our human distress
Helps us to understand the turbulence deep inside
That takes hold of our lives
Shame and disgrace over mental unrest
Keeps us from saving those we love
The grace within our hearts
And the sorrow in our souls
Deception of fame
Vengeance of war
Lives torn apart
Losing oneself
Spiraling down
Feeling the walls closing in
A journey to find
The answers inside
Our illusive mind
Anna às vezes é triste.
Olha ao redor, vê as pessoas felizes e se pergunta: será que também sou feliz, com a mesma proporção das outras pessoas?
Ela chora. Anda de preto às vezes só para ninguém reparar que ela está presente nos lugares. Esconde o rosto atrás dos cabelos vermelhos que a mãe sempre pinta quando ela vai para São Paulo visitá-la. Às vezes usa maquiagem para dar um ar mais diferente e feliz em seu rosto, mas na maioria das vezes não usa ou para não ser percebida ou para não perder tempo com uma coisa que "não tem mais jeito".
Há 4 anos atrás a depressão quase a levou dessa vida. Não via razões para continuar vivendo, tampouco pensar no futuro. "Futuro? Que futuro?" ela se perguntava entre um choro e um soluço. A depressão às vezes tenta dar as caras, mas Anna não passa da tristeza. Fica triste, chora se sentir necessidade, mas continua vivendo e resistiu a algo que na época era tão forte quanto a sua vontade de viver (que era praticamente nula).
Hoje a Anna tem uma visão de futuro. Quer continuar na profissão que escolheu a dedo que é a tão desconhecida e injustiçada Biblioteconomia. Muitos fazem piada, ficam perguntando se ela vive apenas colocando livro na estante e fica irritada quando alguém duvida da sua capacidade profissional. Quando os professores perguntam o motivo de ter escolhido o curso, muda o discurso sempre que vem uma ideia nova em sua mente: "Pq foi um curso que me tirou da depressão"; "Sempre gostei de pesquisar informações e é uma profissão que tem boas oportunidades de emprego"; "Ah, por que foi um dos cursos que se encaixou no meu perfil"...
Perfil? Uma pessoa que é fechada com pessoas novas, tímida e que não tem tanta coragem de falar com as pessoas "desconhecidas"? Que perfil é esse que "aceita" uma profissão dessas, que o tempo inteiro interage com pessoas de diferentes estilos, gostos e jeitos? É o perfil de quem precisava mudar o seu jeito de ser, e conseguiu, de alguma forma, mudar algumas coisas que até então eram imutáveis.
Anna era uma pessoa infeliz. Fica triste às vezes por estar longe de casa, da família e de estar sozinha numa cidade que há 3 anos atrás era completamente estranha e que agora ela ama. Mas e quem não fica triste por qualquer bobagem ou motivo que seja? A tristeza faz parte do nosso dia-a-dia, faz parte do nosso aprendizado e da nossa força de vontade em querer reverter a situação.
A tristeza não é algo totalmente negativo, Anna aprendeu isso futucando na ferida até que ela realmente cicatrizasse. E futucar na ferida é algo para poucos, afinal, enquanto uns correm para religiões e explicações divinas do que está realmente acontecendo, o ato de futucar te traz para a realidade (que às vezes é bem brutal e severa) e faz com que você coloque de volta os pés no chão. Ela precisou da ajuda de uma psicóloga para que o ato de futucar desse certo e quando deu, viu que conseguia se virar sozinha com seus medos, traumas e tristezas.
"Se isso não é crescer/amadurecer, então estou no mundo errado". Não Anna, você está no mundo certo. As pessoas ao seu redor que evitam o contato direto com a realidade é que não estão.
Que tal usar branco combinando com cinza amanhã? :)
21:29 -
Posted by Erika Piffer -
Mônica acordou com o despertador. Na verdade era seu celular no modo despertador tocando a música "Non, je ne regrette rien". Meio grogue de sono, ficou sentada na cama durante dois minutos pensando qual seria o próximo passo. Olhou para o relógio e viu que tinha um tempo considerável para tomar banho, fazer vitamina de banana e ligar a TV só para fazer barulho no quarto.
Ela se olha no espelho e não liga para o rosto inchado e marcado com o travesseiro. Precisa fazer a sobrancelha, quiçá um tratamento de pele. 22 anos, porém, o rosto já começa a demonstrar que não consegue escapar da brutalidade e força do tempo.
Chuveiro ligado, água correndo pelo ralo (aquecimento solar). Olha para a água e vê fumaça saindo dela e entra no box para mais um banho matinal.
Depois de 10 minutos, sai enrolada na toalha, abre a porta para sair o vapor e começa a se arrumar para mais um dia. Na TV as notícias, o trânsito e os problemas são os mesmos. Até a maquiagem da Ana Paula Araújo não muda. Pega uma banana, aveia, metade de iogurte natural e leite e bate no liquidificador. "Melhor do que nada", ela pensa. Toma a vitamina com calma e termina de se arrumar, porém, não passa horas na frente do espelho se maquiando como muitas mulheres fazem hoje em dia. Apenas uma sombra para realçar alguma beleza que ela não vê, ou para se sentir "arrumada" para os padrões que a sociedade definiu.
Vê que a roupa está um pouco amarrotada, ainda não aprendeu a passar roupa social direito. Pensa no ônibus cheio, na falta de educação das pessoas e nos 15min de caminhada até a faculdade. "É praticamente impossível ficar impecável, logo, não vou me preocupar com um amassadinho desses". Pega a mochila, confere se tudo o que ela precisa está ali, pega a chave, celular com o fone e sai para sua rotina.
Dá bom dia para poucas pessoas, o Rivotril parece que ainda faz efeito às 7h da manhã. Sente-se lerda, sonolenta e estranhamente calma. As pessoas no ônibus estão visivelmente cansadas de suas rotinas e ela começa a pensar em várias coisas ao mesmo tempo. "Preciso marcar consulta no médico, preciso fazer os trabalhos da faculdade e estudar para a prova, preciso comprar uma lembrancinha de Páscoa para minha chefe e o auxiliar, preciso de dinheiro para visitar meus parentes, preciso tirar uma folga e ir para Petrópolis descansar, preciso, preciso, preciso...".
Ela gosta de sentar do lado esquerdo do ônibus para ver o Aterro do Flamengo. Ama ver o mar, os barcos, o Pão de Açúcar. Acha tudo aquilo tão maravilhoso que não se conforma que as pessoas ignorem aquela vista. Olha uma garça e acha a ave tão linda que levaria pra casa se pudesse. Chama carinhosamente de Narceja, aquela ave do filme "Up" que é colorida e engraçada. Começa a relembrar de quando viu aquela vista pela primeira vez e do quanto ficou encantada e com medo do que viria pela frente. E hoje, ao olhar para trás, vê que trilhou um caminho sozinha. Obviamente com a ajuda de várias pessoas, mas enfrentou muitas coisas e obstáculos sozinha. E começa a sentir orgulho de si mesma, coisa que ela não costuma a fazer com muita frequência. Ela acha que todos são melhores e mais bonitos do que ela e que passar pelo que ela passou é "fácil". E não é. E ninguém sabe como foi além dela.
Ela desce do ônibus e começa a sua caminhada. Olha para o Canecão e lembra do show dos Engenheiros do Hawaii que ela viu em 2008. Fica feliz por relembrar o quanto aquele show foi especial. Passa pela UFRJ e lembra do namorado que está quase acabando o curso e manda um SMS dando bom dia ou puxando assunto só para disfarçar a saudade que sente dele. Continua andando, olha para os prédios ao seu redor e pensa em como seria bom morar por ali. "Mas eu prefiro povão, Méier é meu lugar, Tijuca... Av. Itaberaba, minha eterna casa". Passa na frente do quiosque do côco e acha um abuso o preço: R$3,50. Quase um assalto a mão armada... Armas. Começa a lembrar da visão que teve do maluco de Realengo, em que o viu atirando na cabeça de crianças inocentes e indefesas sem dó nem piedade. Sente nojo, raiva mas logo passa graças ao Rivotril.
Continua andando, passa na frente do Instituto Benjamin Constant e vê os deficientes visuais entrarem na escola com suas bengalas fazendo tec-tec-tec-tec... Pensa no quanto eles devem serem felizes mesmo com uma deficiência. E fica feliz por eles.
Continua andando e fica irritada com o barulho da obra que estão fazendo na Urca. Ainda bem que a música abafa um pouco o som. Entra na faculdade e se depara com madeiras enormes cobrindo a cantina. "Finalmente vai sair o bandejão!" Sobe a rampa em direção a sala que está o professor e sorri dando bom dia. Rafael Fortes, professor de Comunicação, uma das poucas pessoas esclarecidas, sinceras e realistas daquele lugar. Uma aula boa de ver, ela adora dar sua opinião e participar. Às vezes sente um pouco de sono, mas o Rivotril é o grande culpado da sua sonolência. Risos daqui, conversa séria dali, uma fofoca com o seu melhor amigo e algumas conversas num tom bem baixo para não atrapalhar a aula. Ela ri das piadas que faz junto com o amigo, o amigo se segura para não explodir o riso e a aula termina. Os dois saem, conversam bastante sobre a vida, riem dos outros, riem de si mesmos e vão para o Mc Donald's do Rio Sul almoçar.
Ela come igual um leão. O seu amigo já está acostumado com a sua "ogridade". Ele entra no estágio mais tarde que ela, logo, precisa correr para chegar na hora. Ele fica sozinho e ela toma o rumo do trabalho, um trabalho que é gratificante, bacana e que é um dos sonhos dela que estava na lista "Realizar Ainda". Cumprimenta o assessorista que diz algumas passagens da Bíblia. Ela não é de nenhuma religião, não se importa muito por ouvir uns salmos, mas não quer assumir nenhuma obrigação ligada com religião. Entra na biblioteca, cumprimenta sua chefe e o auxiliar e começa mais um dia de trabalho.
Alguns usuários pedem ajuda por telefone, outros por e-mail, outros vão pessoalmente. Ela ainda está aprendendo, afinal, a área de Direito é muito vasta e cheia de detalhes. Ouve o auxiliar falar as notícias do dia e ri de algumas. A chefe começa uma discussão qualquer sobre coisas da vida, opiniões são dadas. Ela liga o rádio para "alegrar" o ambiente e se sente feliz por ver que pode trazer algo de "diferente" para a Biblioteca. Digita, pesquisa, acrescenta, busca, devolve, coloca na estante, tira da estante, cobra, pede e faz favores... Hora de ir embora.
Pega qualquer ônibus que passe perto da onde ela mora. Às vezes vai sentada, mas não se importa muito em ir a pé já que o trabalho fica a 15min de sua casa. Aliás, casa aqui bem entre aspas, pois é um pensionato. Ela mora em um quarto minúsculo, divide o banheiro com outra pessoa e paga um preço que ainda é considerado "justo". Passa na frente da Central e olha aquele relógio enorme, muitas pessoas atravessando, chegando, indo embora, buzinando, gritando, rindo, conversando, sérias, nervosas... Pessoas de todas as formas, tipos e conteúdos.
Ela passa pela Praça da Bandeira. Vê a bandeira do Brasil e fica danada por estar rasgada e suja. Desce no ponto, passa na padaria e compra uma Coca-Cola que durará a semana inteira já que mora sozinha. Chega no pensionato, dá boa noite para o porteiro Seu Joaquim, conversa um pouco com ele sobre qualquer coisa que venha a cabeça, pergunta se tem alguma cartinha, afinal, a avó ainda escreve para ela e não faz parte dos contatos de MSN dela. Nada, nenhuma carta. Pega o elevador, passa pelo corredor e entra em seu quarto às 20h. Liga a TV, está passando a novela que ela só ouve, não acompanha de fato. Abre a geladeira e a compara como o Polo Norte, só água, gelo, uma Coca-Cola e umas comidas congeladas para fazer no forninho que ganhou de sua mãe no Natal.
Sente-se só. Olha para a parede e vê várias fotos de sua família. Sente saudade. Sente fome. Sente vontade de falar, de conversar com alguém. Fala sozinha consigo mesma, amarradona. Altos papos com sua mente que aparentemente após uma bateria de exames parece estar normal. Olha para o retrato de sua mãe/avó/tia e sente saudade delas. Olha para o retrato dos seus irmãos e sente saudade do irmão do meio, o que mais influenciou sua vida. Olha para o vinil do Rush que ganhou do namorado e ouve Engenheiros do Hawaii no laptop. E continua falando sozinha. Telefone toca, é o namorado. Agora ela não fala mais sozinha e fala pelos cotovelos. Ele escuta, ri às vezes, fala bastante também e faz uns barulhos engraçados que ela adora. Eles desligam, ela toma banho, arruma algo para comer, toma Coca-Cola, senta na frente do laptop e vê seu e-mail: nada pendente. Precisa ler o texto do professor, mas está cansada e deixa para amanhã. "Leio no ônibus". Puxa conversa com a mãe, a tia e o irmão no MSN mas não consegue fazer com que a conversa dure mais de 1 hora. Às vezes a saudade é tão grande que o melhor a fazer é distanciar para não dar pinta de que você não está tão bem assim. Ela fecha o msn e fala com o namorado e uma nova amiga no Gtalk, dá uma olhada no Twitter, Facebook e fica de saco cheio por não ver novidades, só "vealhidades". Ela esqueceu de tomar a pílula, pega a cartela correndo e toma. O sono começa a bater, pega o seu Rivotril, despede-se da nova amiga e fala pro namorado ligar para dar boa noite.
Eles se falam, ele faz os barulhinhos engraçados, ela está grogue de sono e não tem meio termo em nada. Ou ela ri demais ou chora demais. Ontem ela chorou demais, hoje ela ri demais, amanhã será o que? Veremos...
18:09 -
Posted by Erika Piffer -
Hoje acordei sem vontade de brigar com o mundo.
Não procurei confusão em nenhum canto da casa, tampouco no ônibus, na faculdade, no trabalho, no restaurante.
Não dei atenção para aqueles que queriam discutir, muito menos para aqueles que chutavam as minhas pernas ao passarem por trás de mim no ônibus.
Não discuti com aquela menina que jogou papel no chão, apenas a encarei de uma forma que a deixasse sem graça. E isso foi fácil de fazer, o difícil foi ver que não adiantou de nada e que ela fingiu que nada aconteceu.
Não dei atenção para aquele grupo de jovens que conversam sobre assuntos tão imbecis que o cérebro chega a derreter.
Não ouvi música, mas o fone permaneceu no ouvido como uma forma de não chamar a atenção daquele que possivelmente puxaria papo para discutir sobre as manchetes dos jornais.
As manchetes dos jornais não me interessaram.
Em todos os lugares o rosto do Obama estava estampado como se ele fosse um garoto propaganda dos Estados Unidos. Crianças choravam na televisão ao vê-lo de perto, outras gritavam tanto que era de deixar até um surdo mais surdo do que já é.
Na televisão as notícias são as mesmas. Ninguém ganhou na loteria (ainda), o Obama, as roupas que a Michelle usou (e em alguns sites há votações se ela acertou ou não no modelo), Japão, Líbia, Big Brother...
Ouço gritos dos alunos da escola. O professor canta algumas músicas tão bregas... O seu repertório não muda.
Penso no outono, uma estação que me deixa angustiada. O inverno então me deixa tão pra baixo que é uma das épocas que eu fico mais na fossa do que a própria bosta.
Mas hoje eu resolvi não ligar pra absolutamente nada.
Hoje eu quis ter paz e que os outros me deixassem em paz.
Mas as pessoas querem guerra. Sempre antenadas e nervosas, ansiosas esperando um "motivo" para arrumarem confusão ou para mandar o atendente do Mc Donald's a merda.
As pessoas, pelo menos a grande maioria delas, só sabem viver e conviver em conflito. E disso eu estou fora.
Não vou me tornar uma pessoa bunda mole, porém, não vou ser babaca o suficiente para que pisem no meu calo.
Não vou ser uma pessoa explosiva a ponto de amassar um papel na cara de uma atendente numa clínica. Ela não tem culpa que venceu o prazo para ser feito o exame. A culpa e irresponsabilidade foi minha, ninguém tem nada a ver com isso.
As pessoas não são culpadas pelo meu mau humor, pela minha vontade de mandar tudo a m..., por estar nervosa ou ansiosa com algo ou por simplesmente estar com raiva. Não posso explodir.
E você, prefere explodir ou se dar um minuto para pensar nos seus atos?
Meu minuto virou horas. E aos poucos estou aprendendo a viver um pouco melhor. Se todos se derem um minuto, quem sabe muitas pernas não serão chutadas nos ônibus, muitos papéis serão jogados em lixeiras, atendentes não sofrerão com a falta de educação dos outros, muitas bolsadas na cara e discussões por bobeira serão evitadas... É tudo uma questão de ótica. Vivemos numa ilusão de ótica tão grave que os efeitos e resultados estão espalhados por toda a parte. Aturamos tanta coisa sem merecermos, ficamos tão chateados com o próximo por tanta bobagem que agora está virando algo comum na vida das pessoas. De comentarem no banheiro coisas como "uma pessoa esbarrou em mim e ainda disse que estava errada", "e o que você fez?", "nada, apenas segui em frente para não arrumar confusão". Virou coisa do cotidiano, coisa a ser evitada ou enfrentada como se fosse uma gripe.
Enquanto as pessoas não mudarem sua visão de vida e de encarar os acontecimentos, ainda veremos muita coisa que não gostaríamos ou que não queremos ver. Mas a mudança, no fim das contas, está dentro de você. Quem sabe você tirando aquela bandeja da mesa do Mc Donald's ou do Subway o próximo não faça a mesma coisa em prol da educação e por pensar no próximo que poderá sentar ali?
Pensar no próximo... Isso está em falta hoje em dia, porém, nos noticiários isso é mostrado quase que 24 horas por dia do outro lado do mundo. Enquanto brigamos, disputamos, discutimos por coisas tão pequenas e fúteis, os japoneses demonstram solidariedade com o próximo mesmo sem conhecê-lo. Lá eles pensam no coletivo e vivem bem assim, sem gente furando fila ou arrumando confusão por causa da comida que acabou. Lá eles tem noção do que é ter tudo em um dia e nada no outro. Lá você sentiria na pele o que é ser ajudado e como é ajudar alguém necessitado.
E é nessas horas que eu gostaria muito que algo do tipo acontecesse aqui no Brasil. A mudança só acontece quando algo de muito grave acontece, quando você é obrigado a mudar antes que o mundo te engula a seco. E enquanto as pessoas vão dormir em suas camas confortáveis e acordam com o pique de querer arrumar confusão com alguém, lá no Japão as pessoas só querem ter o seu cotidiano de volta, sem brigas ou disputas.
É quase um recomeço após o fim do mundo. E era (é) tudo que nós precisamos em nossas vidas particulares e vazias: recomeço. Um recomeço que faça com que o próximo tenha noção do que é realmente importante na vida dele e do próximo.
O egoísmo precisa sair, ir embora. Precisamos dar mais espaço para a educação, amor, compreensão e paciência. São coisas bonitas de serem ditas e escritas e que na prática poucos dão atenção a elas, porém não custa nada relembrar.
Não acredito que uma pessoa irá mudar 100% , mas acredito que ela vai repensar melhor em seus atos. E isso já seria suficiente nessa terra chamada Brasil, uma terra que quer ser a todos custo um Estados-Unidos-que-fala-português e que é regada com tanta gente egoísta. Vamos mudar as notícias, vamos ser um comentário positivo em uma conversa de pessoas. Vamos ser relembrados pelo ato positivo e não pelo ato negativo. Vamos ser a diferença.
O grande problema é que ninguém quer vestir a camisa. E se eu consegui trazer seus olhos até aqui e deixei alguma reflexão, obrigada. Obrigada por ter me dado a chance de te mostrar um novo caminho. Não sou dona da verdade, mas gostaria que meus futuros filhos e netos crescessem em um mundo menos egoísta. E acredito que você também pensa por esse lado. Logo, obrigada por ter lido até aqui e tente, de alguma forma, ser o ponto positivo, a pessoa positiva, a pessoa que faz a diferença.
21:41 -
Posted by Erika Piffer -
Nunca gostei de atender telefone. Ligar pra alguém é quase um sacrifício. Penso mil vezes como e o que vou dizer, que verbos usar, se devo ser direta, se devo ser simpática... Enquanto estou pensando em todas essas coisas a pessoa do outro lado diz "alô" e eu começo a gaguejar e acabo falando tudo errado, puxo o R com mais intensidade e acabo, mais uma vez, arruinando uma ligação que era pra ser simples e rápida.
Todos os dias lido com vários advogados e estagiários de diversas faixas etárias. Personalidades tão diferentes e tão parecidas ao mesmo tempo que não tem jeito: ou eu gaguejo, ou meu sotaque fica mais reforçado, ou meu rosto começa a queimar de tanta vergonha...
E quando preciso ligar para alguém que é conhecido? É quase a mesma coisa. Fico pensando nos assuntos que devo abordar, no que posso amarrar pro assunto não morrer e é claro, penso nos verbos e nas concordâncias que devo fazer. Com os advogados não penso em assuntos, penso em como dizer o que eles querem de forma clara, objetiva e sem rodeios. Mas sempre acabo gaguejando e querendo que aquela ligação termine logo.
Se alguém liga pra mim é pior ainda. Olho o nome da pessoa, penso nos possíveis assuntos que podemos conversar e acabo desistindo de atender pois não sou uma pessoa que fala pelos cotovelos. Falo pouco, observo mais e raramente falo sem parar como várias pessoas que conheço. E, sendo bem sincera, só falo pra caramba quando bebo um pouco a mais do que devia. E mesmo assim ainda passo por uns momentos de silêncio total, só observando os outros ao meu redor. Acho que quando estamos com a água que passarinho não bebe correndo pelas veias a nossa tendência é falar, falar e falar e querer vender nosso peixe seja pra quem for. É nessa hora que mostramos o nosso lado B que sempre tentamos esconder. Uns são mais chatos que o normal, outros são mais amorosos, outros arrumam briga por qualquer motivo, outros preferem chorar no ombro amigo...
Mas mesmo um pouco alta, eu odeio telefone.
Não gosto, não adianta.
E o que mais me emputece é quando alguém tem o número do meu telefone passa para outra pessoa como se não fosse nada demais repassar. Se eu não dei meu número para aquela pessoa é um sinal de que não quero contato, não é mesmo? E mesmo que eu quisesse contato com aquela pessoa a obrigação de quem possui meu contato é perguntar antes pra mim se deve repassá-lo. Isso é etiqueta. É quase uma regra. Cagar pra esse tipo de etiqueta é como se entrássemos na casa de um desconhecido, tirássemos os sapatos e colocássemos os pés em cima da mesa, completamente nus e fedorentos dizendo "ei, sua feia, me traz algo para comer pois sou visita!". Não é uma cena ridícula? Pois é, agora imaginem repassar o telefone da sua antiga chefe para uma amiga que está precisando de emprego. É igualmente ridículo. Falta de educação e etiqueta.
Ao longo dos dias irei postar sobre regras básicas de etiqueta que as pessoas se "esquecem" para serem legais e/ou qualquer coisa do tipo que não sei ao certo o que é. Pra mim é tão gritante essa falha de etiqueta que não consigo pensar o real motivo da pessoa fazer isso. Ou ela quer sacanear, demonstrar para a pessoa que tem todos os contatos do universo ou quer ser, simplesmente, idiota e mal educada.
Lição do post de hoje: sempre que alguém pedir o telefone de alguém lembre-se: COMUNIQUE OU PERGUNTE ANTES SE É PARA REPASSAR SEUS CONTATOS. Se a pessoa autorizar, que beleza, está tudo bem. Agora, se não autorizar e você repassar lembre-se que você é uma pessoa idiota, babaca e não tem educação alguma. Que tal ir aprender algumas regras de etiqueta para ser uma pessoa melhor?
Beijos não me liga pois não te dei meu número.