Amanhã começa mais um Big Brother Brasil. O prêmio aumentou, tem uma lésbica, dois gays e alguns com ou sem orientação definida. A casa está pintadinha, tem tv de plasma na academia, o quarto do líder agora possui senha e até uma mesa de sinuca tem. Não vou listar todas as coisas que há naquele lugar, até porque eu sei que você estará assistindo o que chamamos de "entretenimento".
Pessoas desconhecidas. Pessoas famosas atrás das câmeras. Pessoas que são viciadas em twitter. Pessoas viciadas em se transformar. Pessoas que gostam de se exibir. Pessoas que dizem estar ali por causa do prêmio. Pessoas que dizem que vão jogar. Pessoas que dizem que as câmeras ficarão fixas em suas ações. Pessoas que dizem que serão polêmicas. Pessoas que dizem tanta coisa... Pessoas que mentem demais.
É o tal do "entretenimento". Vamos entender um pouco melhor essa palavrinha:
1. Ato de entreter.
2. Coisa que entretém.
3. Brincadeira.
4. Distração.
5. Divertimento.
6. Entretimento.
Assistir o Silvio Santos "brincando" com a Maísa é uma forma de entretenimento para alguns. Para outros, ver uma pessoa desconhecida deixar "escapar" um peito ou um pedaço da perseguida é uma forma de entretenimento também. Ligar insistentemente para aquele programa da Record que dá dinheiro caso você acerte a senha do cofre também pode ser considerado entretenimento. Participar do programa do Silvio Santos e ganhar R$50 reais que está em formato de aviãozinho é uma forma de entretenimento.
Em suma, basta ligar a televisão e ali estará um programa para te entreter e caso tu não goste é só mudar o canal. Todas as opções estarão ali, disponíveis 24h e para todas as pessoas do mundo, do Oiapoque ao Chuí. Se você tem um telefone, isso é mais fácil ainda! Basta ligar e escolher, por exemplo, um dos dois filmes do Corujão da Globo ou quem será eliminado no Big Brother Brasil (olha que importante você é, telespectador!).
Curiosidade? Querer estar por dentro dos acontecimentos? Saber qual é a fofoca do dia? Ter o que chamamos de "cultura geral" num trocar de canais? Seja o que for, cada um tem os seus motivos para perder tantas horas na frente de uma televisão. Às vezes as pessoas gostam de saber o signo daquele fulaninho do Big Brother... Ou então quer ver a marca da roupa daquela guria bonita pra comprar algo igual ou parecido na loja mais próxima. Talvez as pessoas gostem de saber mais da vida do outro do que da sua própria vida, talvez por ela ser vazia demais e não possuir entretenimento nenhum. Sair do óbvio, ter o "controle" de tirar ou colocar alguém num espetáculo de horrores e "controlá-los" como se fossem ventrílocos. Brincar com a vida dos outros e mudar o destino de cada um com apenas um telefonema... Tudo se resume, no fim das contas, a nada.
Eu não me lembro dos participantes dos primeiros BBB's. Lembro que um deles faleceu e tinha em torno de 30 anos de idade. Lembro também do Max, que por algum motivo místico está sempre na página principal do Globo.com ... Lembro também da Fran e da plástica no nariz, porque a Globo.com divulga mais esses acontecimentos "históricos" do que qualquer outra coisa. Talvez porque isso dá mais "cliques" no dia e rendem alguma coisa para os seus bolsos. Quando digo "seus" não estou querendo dizer o meu, o seu ou o bolso do seu Zé, o seu vizinho: bolso dos contratados da Globo, dos atores, para abastecer uma casa de gente desconhecida que tem a vida TÃO boa quanto a nossa. Talvez isso tudo aconteça porque a vida dos famosos é bem mais lucrativa que a chata e monótona vida real, afinal, de triste já basta a vida (na ótica de muitas pessoas, não na minha ótica).
Vá e assista ao BBB.
Ligue.
Xingue.
Chore.
Torça.
Acompanhe.
Assine o canal do BBB no Pay-per-view.
Ligue em todos os paredões.
Ligue para escolher os castigos.
Ligue para escolher a roupa de sei lá quem para ser o palhaço da semana.
Ligue.
Ligue já!
0800 blablablá.
Ligando!
Está caindo toda hora, vou apertar o redial!
Só dá ocupado! Vou continuar ligando!
Já sei! Votarei pelo site!
O site caiu! Vou ligar novamente!
Ciclos intermináveis. Quando pensamos que acabou, eles recomeçam.
É a cultura geral, gente. Você tem que estar por dentro para conversar com o seu chefe sobre isso, afinal, ele assiste todo santo dia o BBB. Quer ter assunto com a gatinha do seu prédio? Fale do BBB, ela vai se amarrar, eu garanto!
Não estou aqui para condenar ninguém. Você assiste o que quiser e queima o seu dinheiro como quiser. Seja fumando, seja comprando cerveja para os seus amigos, seja gastando em roupas caríssimas que numa loja popular tem igualzinha... Você faz o que quiser com a sua vida e do jeito que quiser. Até porque se todo mundo sente essa "segurança" em "controlar" quem entra e quem sai de um reality show sem ganhar nada em troca além de minutos ou horas longe da realidade, se a "massa" gosta de polêmica e da tal cultura geral, provavelmente a errada sou eu. Provavelmente estarei sendo xingada amanhã por não acompanhar "de perto" um programa que fala de gente desconhecida em que ELES ganharão prêmios e dinheiros enquanto que eu estarei vivendo a minha vida normalmente, na minha realidade nua, crua e às vezes dolorosa do que o mundo de fantasia do Big Brother Brasil. Sim, a errada com certeza sou eu. Não rir da burrice alheia ao ouvir um dos participantes cantando em inglês errado, não rir da piadinha pronta de um modelo qualquer, não ficar horrorizada ao ver o fulano tomando banho sem sunga... A errada com certeza sou eu.
Realmente é muito mais fácil ligar e interferir no "destino" de desconhecidos do que entrar, por exemplo, no Congresso Nacional, na prefeitura, nas câmaras dos deputados e vereadores de seus estados e municípios e tirar o político ladrão ou brigar para que a passagem de ônibus não custe o absurdo que está custando por exemplo na cidade de São Paulo. E tudo isso porque o brasileiro está acostumado a levar nabo no rabo (desculpem a expressão, mas é o que parece) e ficar acostumado com tudo e com o circo que está esse país e por isso se AFUNDAM em programas de entretenimento em busca de paz ou de distração dos seus problemas ou da vida real que está fora da porta ou ao seu lado e, talvez pior, diante do seu espelho. Ver fulana com peitinho durinho e encarar a realidade no dia seguinte olhando-se no espelho e vendo tudo aquilo cair deve ser um dos piores pesadelos do dia. Por isso, vamos olhar aquela Barbie do Big Brother e tirar inspiração ou ser IGUALZINHA a ela para chamar a atenção de alguém. Vamos repetir os bordões, vamos comentar nos ônibus, com os taxistas, com os chefes, com Deus e o mundo sobre mais uma atração da televisão: o show de horrores da vida não como ela é, mas de uma vida que é sustentada pelo seu dinheiro e pela fama, que mais cedo ou mais tarde acabará.
E é por isso que tantos famosos caem no mundo das drogas ou no esquecimento. Por causa da maldita fama que traz para cada um a esperança de uma vida tão boa quanto a que ele está vivendo naquele momento. Deve ser maravilhoso ser abordado por um microfone gigante perguntando sobre a cor da sua cueca na noite do reveillon. Mais maravilhoso ainda deve ser almoçar com um amigo e estar na capa da revista blablablá como "o novo affair da fulana de tal". Deve ser uma delícia ser famoso, ter dinheiro fácil, ser querido e ser paparicado. Mas a vida real continua dentro de nós e a cada esquina e mais cedo ou mais tarde ela te dá uma rasteira e tu volta para o MUNDO real, o mundo que todos correm dele. O mundo como ele é, sem fantasia ou sem 0800.
"Então desliga a tv e vai ler um livro".
A questão não é a cultura na televisão. Cultura tem, mas as pessoas não dão importância porque não estão falando "a mesma língua". Se você colocar num programa que está falando de Ipod e não saber o que é isso ou do que se trata, você bóia feito merda no mar. Por isso as pessoas correm para o popular, pois é de fácil interação e entendimento. A cultura existe, mas não tem tanta força quanto o entretenimento. E eu não estou reclamando disso de fato.
"Coloca na tv cultura então".
A tv Cultura é um dos canais que quase não tem ibope. O motivo? Talvez sejam os pequenos diabinhos chamados BBB, Novelas em geral, Silvio Santos e turminha, Faustão, disque-e-concorra-a-500-mil-reais-caso-acerte-a-senha-do-cofre e etc etc etc...
Eu não assisto a Cultura e não tenho tv a cabo. Assisto a Globo porque é um dos poucos canais que pegam bem. Mas sempre estou no laptop ou ouvindo rádio, o que é um telespectador a menor na conta deles (isto é, se conta alguma coisa). Eu não sinto o mesmo vazio que você sente nas noites de domingo ou em todas as noites da semana. Talvez seja por causa desse vazio que tu mergulha no mundo do Big Brother em busca de alguma distração da sua vida real. E eu to falando isso insistentemente porque não tem outra alternativa. Dizer que gosta de ver os outros se prejudicando e prejudicando o outro por causa de dinheiro é quase maluquice. Ver bate-boca, disputa de mulheres, brigas e mais brigas, falsidade... É um programa que reflete tudo o que há de ruim nas pessoas abertamente e sem rodeios. Aquilo ali não passa nada de bom, mas se você acha que eles transmitem coisas boas, é uma opinião e um modo de ver exclusivo seu. Olhar de fora e ver que aquilo ali é um conto de fadas do inferno é ser racional e ver que desperdiçar tempo e dinheiro nisso é pura bobagem (pra não dizer burrice).
3 ou sei lá quantos meses. Vamos ver todas as televisões ligadas na Globo e ouvir o "plim plim" interminável e o Pedro Bial com o seu ar de "fodão" falando seus textos tão cheios de blablablá. E só para aqueles que estão por trás disso tudo, o barulho da caixa registradora.
Parabéns, você faz parte do BBB. Pena que ninguém sabe.
Tudo se resume a uma imagem simples do circo que fazemos parte: