Domingo é um dia bem esquisito. Aqui não somos agraciados com a música do Fantástico, mas o clima e o feeling angustiante também passa por aqui. Meu marido se recuperava de uma gripe forte deitado no sofá, assistindo alguns trechos do Labyrinth (filme que ele sabe de cor) enquanto eu estava estendendo a roupa no varal. Viro pra ele e digo "se um dia encontrar com o Bowie em Londres acho que terei um infarto". Rimos muito.
06h
da manhã do dia 11/01/2016. Meu marido acorda tossindo e acordo
assustada. Levanto para tomar água e retorno para a cama, porém, sem
sono nenhum. Viro pro lado, deito de barriga pra cima, nada. Pego o
celular, já são 06h30 e dou uma rápida olhada nas redes sociais. Abro o
Twitter e vejo a seguinte mensagem:
Na hora que li isso começou a tocar um trecho da música Blackstar na minha cabeça:
"Something happened on the day he died
Spirit rose a metre and stepped aside
Somebody else took his place, and bravely cried
(I’m a blackstar, I’m a blackstar)"
Spirit rose a metre and stepped aside
Somebody else took his place, and bravely cried
(I’m a blackstar, I’m a blackstar)"
Fiz
uma busca no Twitter e muitos diziam que era hoax. No primeiro momento
compartilhei o post dizendo que se tratava de hoax, afinal, não era a
primeira vez que "matavam" o mestre. Mas com o passar dos minutos vi que
aquilo não era hoax, era verdade. Me recusava a acreditar e continuei
na cama acompanhando a velocidade de como aquele tweet corria, como as
pessoas choravam em palavras, como tudo foi caminhando para a
conformidade.
De repente Duncan Jones (filho dele) aparece confirmando tal post...
Dei um pulo da cama. Eram quase 08h30 e o meu marido dessa vez acordou no susto: "o que houve?" ; "nada, vou ali na sala".
Liguei
a TV e o "breaking news" foi mais um punch na minha cara. A jornalista
em Londres com uma tristeza muito aparente dizia o que não queria ouvir.
E sem conseguir falar com o meu marido, só apontei para a TV e comecei a
chorar.
Enquanto escrevo ainda estou tentando lidar, tentando ir
pelo lado racional da coisa e não ser mais uma pessoa que está chorando
em palavras. Foco.
Foi difícil não pensar nele no dia de ontem. Hoje dói menos que ontem, mas sua voz, suas novas (e antigas) músicas ainda ecoam no dia de hoje e vão ecoar para sempre. Algumas pessoas dizem que é exagero ficar triste por alguém que nunca te conheceu e nem vai conhecer, mas ele fez parte da minha história (e de tantas outras pessoas) e não consigo encarar como se fosse mais um dia qualquer ou mais uma morte qualquer. Respeitar esse momento é crucial, ninguém é igual a ninguém. Um pouco de empatia não é vergonhoso ou "mi mi mi", é necessário.
Dito isso...
O novo álbum ★
[Blackstar] foi lançado na sexta-feira, dia do aniversário do mestre. Encarei esse momento como uma nova tradição, já que há dois anos atrás foi lançado The Next Day e internalizei que a cada dois anos sempre teríamos algo novo do mestre - o que compensaria a falta de shows, já que ele nunca mais quis subir aos palcos após um infarte. Mas assim que terminei de ouvir o novo álbum fiquei com a sensação de "não faz o menor sentido". E hoje, ouvindo o
álbum com todos os seus detalhes, arranjos (como se fosse um apanhado geral das mais belas
músicas já feitas por ele) e com suas letras tão evidentes ficou claro que está tudo ali e que fazia todo o sentido: ele contou para
todos nós o que iria acontecer e não percebemos no primeiro momento. É
literalmente um álbum de encerramento e um belo testamento para todos nós.
David Bowie é um artista
completo e encerrou sua carreira com genialidade e maestria. Sua lacuna
jamais será preenchida e o meu amor será eterno...





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