Sou do tempo que ouvia uma música no rádio e se gostasse, ficava esperando o locutor dizer o nome da música e da banda. Às vezes acontecia de entrar direto nos comerciais ou só diziam o nome da banda e não da música e assim a música se "perdia" na minha memória.
Ia com uma certa frequência para Guarulhos com os meus tios. A minha tia tinha um fusca e o meu tio um Gol quadrado, ou seja, Antena 1 dominava no fusca e o samba de raiz dominava no Gol. Sempre que deixávamos o meu tio em Guarulhos, voltávamos pela Marginal Tietê ouvindo Antena 1 e era difícil tomar nota das bandas e dos vocalistas que invadiam o fusca com suas melodias e vozes maravilhosas (sim, eu sou brega e adoro ouvir Antena 1). Eu não sabia inglês então era muito mais difícil descobrir de quem era...
Então quando começava uma música que gostava bastante, prestava atenção em cada parte e guardava na memória para que um dia resgatasse aquela banda perdida.
Aqui na Alemanha sempre tocam as mesmas músicas no rádio e até no mesmo horário de sempre. Mas ontem tocou uma música antiga, daquelas que sempre ouvia na Antena 1 e nunca soube de quem era:
Abri a porta do banheiro e chamei o Yanko para mostrar mais uma das músicas bregas que adoro. Ele com seu inglês super afiado descobriu a frase que o vocalista dizia, digitou no YouTube e finalmente descobri quem era o dono daquela voz!
Patrick Swayze - She's Like The Wind!!!!!!
Gente, que alegria senti ao retirar essa música do meu arquivo de memória e dar um nome e um vocalista para ela! Incrível! Agora que tem "corpo" posso gostar dela tendo a certeza que existe de fato e não era uma memória maluca da minha cabeça.
E esse mesmo sentimento se encaixa com a Moa, mas com a diferença que agora não existe mais um corpo físico e posso continuar amando da mesma forma. Hoje aquele portão laranja pode não ter mais utilidade (fisicamente falando), mas no fundo ter ele ali dividindo a casa do quintal é tão importante quanto o pé de limão: ambos representam e guardam boas lembranças da Moa. Ela pode não estar mais ali marchando, esperando um carinho, erguendo o pescoço o máximo que podia só para sentir um afago, mas suas histórias estão mais vivas do que nunca dentro do meu coração. Está meio difícil digitar e respirar hoje. Nunca imaginei que o meu tchau fosse na verdade um adeus...
Na real não acredito em adeus. Acredito no até logo e é isso que bloqueia o meu medo do desconhecido e da morte: acreditar que em algum momento vamos nos encontrar ainda, seja aqui de novo ou em algum lugar muito bacana com muitos limões para ela brincar.
Obrigada Moa por ter iluminado as nossas vidas. Obrigada por ter sido tão boa para nós. Obrigada por ter me ensinado a te amar tão intensamente sem pedir nada em troca. Meu coração está em pedaços com sua partida, mas provavelmente você está melhor agora e isso acalma a minha dor. Te amo sua doidica...




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