21 de jun. de 2011

Capítulo 4

Já falei em algum post que faço Biblioteconomia, porém, nunca expliquei o que nós realmente fazemos e por mais fácil que pareça, não consigo dar uma definição ou explicação que esclareçam todas as dúvidas e curiosidades.

O nosso símbolo é a Lâmpada de Aladim e o Livro Aberto.

A Lâmpada de Aladim, desde os tempos antigos, representa a incessante vigília, a atividade intelectual, o trabalho árduo das investigações lítero-científicas.

Já o Livro Aberto, significa o oferecimento da educação e da cultura.

Sempre disse que nós somos os disseminadores da informação. Somos os mediadores da informação que vocês precisam e a nossa "missão" (eu diria que uma das) é fazer com que essa informação chegue de forma rápida e que seja satisfatória.

Não é uma tarefa fácil selecionar e disseminar uma informação. Muitos usuários às vezes não fazem a menor ideia do que precisam ou dão informações incompletas e soltam uma incógnita do tamanho de bonde para decifrar. Às vezes a pesquisa torna-se difícil, mas não tem nada mais gratificante do que desvendar o mistério e satisfazer as dúvidas do usuário. A nossa missão só está 100% cumprida quando o usuário sai da biblioteca com pelo menos alguma ideia do que aquilo possa ser (mesmo que não seja possível encontrar exatamente o que ele procura).

Quando um bibliotecário perde o real significado do "Livro Aberto" e da "Lâmpada de Aladim", aquela organização falhará miseravelmente.

Quem teria tesão de entrar numa biblioteca dessas?

Amparado a esses dois significados, não posso deixar de citar o nosso pai Ranganathan que elaborou cinco leis fundamentais instituidas para a Biblioteconomia e que vigoram até os dias atuais. São elas:

Os livros são para serem usados - o livro é um meio que impulsiona o conhecimento. E podemos observar a importância de uma biblioteca na seguinte frase: "quem tem informação, tem poder". Aponta para o livro como um meio e não como tendo um fim em si mesmo.

Todo leitor tem seu livro - o bibliotecário deve fazer o estudo dos usuários, observando a clientela para preparar o acervo. Aponta para a seleção de acordo com o perfil do usuário.

Todo livro tem seu leitor - refere-se a disseminação da informação, em que se deve divulgar os livros existentes em cada biblioteca. Aponta para a importância da divulgação do livro, sua disseminação, antecipando a estética da recepção.

Poupe o tempo do leitor - a arrumação e catalogação dos documentos diminui o tempo necessário para encontrar a informação desejada. Aponta para o livre acesso às estantes, o serviço de referência e a simplificação dos processos técnicos.

Uma biblioteca é um organismo em crescimento - o bibliotecário deve controlar esse crescimento, verificando qual a informação que está sendo usada, através de estatísticas da consulta e empréstimo. Decorre da explosão bibliográfica que exige atualização das coleções e previsão do crescimento da área ocupada pela biblioteca.

Essas leis devem fazer parte do cotidiano de qualquer bibliotecário. Sem elas, a biblioteca perde sua razão de existir. Além disso, sem um atendimento eficiente e sem uma recepção educada e gentil e ainda, sem um marketing forte para divulgar a biblioteca as chances de espantarem seus usuários aumentam. Como as pessoas vão saber que aquela salinha, que aquele prédio bonito ou caindo os pedaços é uma biblioteca? Pelo boca-a-boca é que não vai ser...

Atrasos sempre acontecem. Não é por isso que você irá tratar o usuário da pior forma possível, certo?
E não misture as coisas: seus problemas são seus problemas, o usuário não tem nada a ver com isso!


Outra coisa interessante da nossa profissão é que também temos um anel!

O anel deve ser de ouro, com a pedra preciosa ametista de cor violeta (é uma variedade de quartzo, encontrada no Brasil, Uruguai, Sibéria e no Ceilão), que é a pedra da amizade, que reforça a memória, tendo em sua lateral a lâmpada de Aladim e o livro aberto em platina, para ficarem em relevo.

E além do anel, também temos o nosso dia!

O Dia do Bibliotecário, no Brasil, é comemorado em 12 de março em homenagem a Manuel Bastos Tigre (nascido em 12 de março de 1882). Figura de múltiplos talentos e profissões formou-se engenheiro, mas também exerceu ocupações como jornalista, poeta, compositor, teatrólogo, humorista, publicitário e, especialmente, bibliotecário. É considerado o primeiro bibliotecário por concurso no Brasil, atuando no Museu Nacional do Rio de Janeiro.

O Decreto Federal nº 84.631, de 09/04/1980, assinado pelo então presidente da República João Figueiredo, instituiu, além do Dia do Bibliotecário, a Semana Nacional do Livro e da Biblioteca (de 3 a 29 de outubro).

O bibliotecário é um profissional de nível superior (bacharelado em Biblioteconomia), cujo exercício é regulamentado por lei e fiscalizado por Conselhos Regionais de Biblioteconomia.




Catalogamos, classificamos, indexamos, gerenciamos uma equipe e os trabalhos que envolvem a organização e a disseminação do acervo, selecionamos, adquirimos, atendemos, implementamos sistemas de informação, conservamos e restauramos obras (sejam elas raras ou não)...

Podemos atuar em centros de documentação, empresas, escritórios de advocacia, centros culturais, museus, arquivos, bibliotecas públicas, particulares e universitárias...

Integramos e desenvolvemos estudos e pesquisas em diversas áreas; fazemos parte dos processos das empresas na tomada de decisão e na certificação de qualidade; atuamos como analista de conteúdo de Internet; administramos, desenvolvemos e mantemos bancos de dados, sistemas de informação, bibliotecas digitais e virtuais; organizamos sites e portais corporativos, realizando a arquitetura de informação; implementamos e integramos os processos de gestão de conhecimento de organizações...

Em suma, não é uma profissão como outra qualquer. É uma profissão delicada que exige muita atenção, dedicação, esforço e principalmente, pró-atividade. Enfrentamos todos os dias diversos obstáculos e incógnitas. Ganhamos um salário que ainda é baixo, mas somos valorizados em grandes empresas como Petrobrás, Vale, FINEP... Provamos todos os dias que somos úteis e necessários mesmo que muitos digam o contrário. E nós, jovens bibliotecários, temos a missão de tirar essa imagem de que o bibliotecário é sempre uma mulher ou homem de cara fechada, que não disponibiliza todas as informações e que está sempre com "má vontade" e/ou sem saco para atender os usuários. Esse bibliotecário é coisa do passado e cabe a nós tirar esse medo e essa fantasia de que somos os "monstros da informação".

Quanto ao Google ter tudo e ser uma "ameaça" para o nosso futuro... A tecnologia estará sempre presente. Cabe a nós conciliar com a nossa profissão e tirar proveitos positivos disso. Mas uma coisa é certa: por mais informação que o Google possa ter, nem sempre ela será de fonte confiável e/ou útil para o leitor. E é aí que intervimos, e é aí que o bibliotecário mostra o quanto é útil e necessário para o cotidiano de qualquer pessoa.

Fontes:

http://oserbibliotecario.blogspot.com/2007/03/o-que-faz-um-bibliotecrio.html

http://bibliocomics.blogspot.com/

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