Já que o blog não tem posts recentes, vou postar uma resenha que fiz para uma das disciplinas que mais me assombraram nesse semestre. Espero que gostem!

MORAIS, Gus. Por uns bytes de memória. Disponível em: . Acesso em: 03 nov. 2011.

Por uns bytes de saudade...

Será que a Internet desumaniza ou afasta as pessoas? Como evoluíram as redes sociais nas últimas décadas? Essas são algumas perguntas que podem ser feitas a partir da leitura de "Por Uns Bytes de Memória", por Gus Morais. Graduado em Publicidade e Propaganda pela Universidade de São Paulo, atua desde 2007 como ilustrador de revistas e livros para diversas editoras.

O texto se passa em três linhas de tempo: passado (iniciando em 1996), época em que o autor começou a usar a Internet; após isso, passa ao presente, com os novos programas e redes sociais que evoluíram para um caminho diferente do esperado por Gus (que entende que as coisas apenas tomaram novas formas, e negar isso é cair na “cegueira da nostalgia”); por fim, avança para o futuro, apresentando novas tecnologias como homens com diversos aparelhos acoplados em seus corpos e usando robôs enormes para se locomoverem. A história termina com um desses homens robô, talvez o próprio Gus, olhando uma foto sua quando pequeno, realçando que mesmo com o avanço da tecnologia o ser humano continua se relacionando com outras pessoas e seus sentimentos continuam vivos, como por exemplo, a saudade.

Nostalgia. Essa é a palavra que define "Por uns bytes de memória". Com maestria, o autor faz um resgate na memória dos nerds que viveram todos os acontecimentos e mudanças daquela época e que hoje leem o webcomic com lágrima nos olhos, trazendo à tona lembranças e saudade.

Durante a década de 1990 a Internet no Brasil teve um crescimento explosivo, especialmente entre 1996 e 1997 (GUIZZO, 1999), época em que o autor começou a usar essa nova tecnologia. De toda a sua turma só ele tinha esse privilégio, pois para ter um computador e um modem era custoso demais. Com o passar dos anos alguns amigos também começaram a acessar, dando uma nova motivação para Gus continuar no mundo virtual.

A conexão daquela época era discada e a cobrança das ligações era exorbitante. Com isso, Gus, assim como muitos dos adolescentes da época, utilizava a Internet em horários da madrugada, quando apenas um pulso era cobrado por chamada. A lentidão da conexão era outra característica marcante, fazendo com que músicas que eram baixadas chegassem em um ou dois dias. Hoje em dia, se pararmos para pensar numa possibilidade dessas, achamos que é um absurdo e até surreal. Porém, ainda existem muitos Gus Morais pelo mundo afora que ainda estão na etapa da "Internet discada", descobrindo um mundo virtual que já conhecemos de ponta a ponta.

Com o avanço da tecnologia, novas redes sociais e programas de bate-papo surgiram ao longo dos anos. Aquela Internet que Gus Morais descreve com tremenda nostalgia parece que ficou para trás. Só parece. A tecnologia evoluiu e continua evoluindo, porém, as pessoas continuam se relacionando à sua maneira: formam grupos, comunidades, redes sociais com interesses em comum; relacionam-se, reencontram-se e têm oportunidade de fazer novas amizades, provando que o virtual não se opõe ao real (SANTANA , 2007).

Engana-se quem acha que as histórias em quadrinhos existem só para mostrar situações engraçadas ou irônicas. Todo e qualquer tipo de quadrinho tem o poder da narração, com o qual a história é retratada e registrada através de uma sequência de imagens. O quadrinho, como mídia, não se resume apenas a contar fábulas de super-heróis e vilões; pode retratar qualquer tipo de narrativa, seja ela verídica ou fantasiosa (GUIMARÃES, 2010). O webcomic de Gus Morais faz um resgate ao imaginário afetivo coletivo, demonstrando como a Internet mudou dos anos 90 em diante, trazendo uma mensagem séria e um alerta para aqueles que fazem parte da geração Y: por mais que a tecnologia seja crescente e se atualize rapidamente, os sentimentos dentro de nós continuam os mesmos.

Referências

GUIZZO, Érico. Internet: o que é, o que oferece, como conectar-se. São Paulo: Editora Ática, 1999. 112 p.

SANTANA, Camila Lima Santana e. Redes sociais na internet: potencializando interações sociais. Hipertextus Revista Digital, Pernambuco, v. 1, p.1-8, 02 maio 2007. Disponível em: . Acesso em: 03 nov. 2011.

GUIMARÃES, Edgard. Uma caracterização ampla para a história em quadrinhos e seus limites com outras formas de expressão. In: _______. Estudos sobre história em quadrinhos. João Pessoa: Marca de Fantasia, 2010. cap. 2.



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