Contém spoiler do filme O Pequeno Nicolau. Eu avisei, heim!
Ser criança é viver no mundo da fantasia. Não estou querendo dizer que todas as crianças são idiotas e/ou malucas, mas a visão delas diante do mundo é bem diferente comparando com a visão de um adulto. Elas vêem coisas onde não tem, interpretam certas coisas de acordo com o que aprenderam nas histórias contadas pelos seus professores ou pais e imaginam mil coisas diante de um acontecimento "grande".
Nós já passamos por isso. Já vimos monstros embaixo da cama, tivemos medo deles. Ouvíamos as conversas dos adultos e ficávamos imaginando, por exemplo, como os bebês eram feitos e/ou porque aquele tio que gostávamos tanto "sumiu" e foi pro céu. Olhamos pro céu e vemos apenas nuvens, sol, lua, estrelas e nada além disso e não conseguimos entender porque diabos o titio foi pra lá. Alguns até dizem que o titio virou uma estrelinha! Mas puts, como assim virou uma estrela? Isso não existe! Será que ele está pulando de nuvem em nuvem? Mas que coisa!
Na escola tivemos o nosso melhor amigo e pior inimigo e até mais de uma namoradinha. Morríamos de medo do diretor ou da inspetora e amávamos/odiávamos a nossa professora. Coitadas das professoras substitutas que passaram por nossas vidas então! Só meia dúzia dava atenção a elas e o resto vivia na brincadeira!
Alguns faziam a lição de casa e outros pediam ajuda e/ou copiavam do mais "nerd" da sala. E o mais "nerd" era sempre o mais caçoado da turma. Tinha também o que comia demais, o que era "menos" inteligente que os outros, um piadista, um brigão, um chorão, um fedido, um filhinho de mamãe, um riquinho, um que era apenas comum... Nunca uma sala era composta por pessoas "neutras".
E é isso que o filme O Pequeno Nicolau quer mostrar e resgatar dentro de nós: a criança que éramos e as nossas significativas mudanças, o amadurecimento que conquistamos com o passar dos anos e a importância da nossa família e o quanto ela foi (e ainda é) fundamental no nosso crescimento. E uma coisa que é de extrema importância que o filme passa indiretamente: nós dávamos valor a pequenas coisas e as pessoas ao nosso redor. Não julgávamos ninguém e a aparência era algo que não existia: éramos amigos de qualquer um. Nossos pais às vezes falavam algo como "você é amigo daquele fulano? ele é estranho!" mas não ligávamos, a amizade sempre falava mais alto.

O tipo de família "perfeita"
Eu poderia puxar esse post mais pro lado do Nicolau encarando o fato de ter um irmão mais novo e tentar de alguma forma fazer uma "análise" (análise com aspas enormes, pois não sou uma pessoa que sabe fazer 100% uma boa análise), mas quero deixar esse post mais pro lado da amizade e da importância da nossa antiga ótica em relação ao mundo.
Não quero que as pessoas voltem a ter a ótica que tinham aos 5 anos de idade, mas gostaria que elas não levassem a vida tão a ferro e fogo. Gostaria que as pessoas sorrissem e conversassem mais com as pessoas sem discriminá-las pela sua classe, cor, sexo, time, área de atuação... Gostaria que as pessoas tivessem mais amigos e menos contatos para encher a agenda ou o msn para dar um ar de importância que não existe. Gostaria que as pessoas se dessem uma oportunidade de poder respirar, de pegar o playstation do sobrinho/filho e aprendesse ou começasse a jogar sem se importar com o que os outros vão dizer. Gostaria que as pessoas corressem menos e amassem mais sem se preocupar com o amanhã ou com o que irá fazer no jantar. Gostaria que as pessoas vivessem e desligassem o botão do automático. Gostaria que as pessoas dessem valor nessas pequenas coisas e que elas aproveitassem de fato a vida. Aproveitar que eu digo não é comprar jóias ou um carro do ano, não é sair por aí e encher a cara ou gastar dinheiro em coisas que não valem a pena: aproveitar no sentido de viver.
Será que nós matamos ou perdemos a nossa criança interior?


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