2 de mar. de 2013

Ser invisível

Você tem todo o direito de chorar, mas talvez isso não resolva muita coisa. Você tem o direito de ficar calado, mesmo que por dentro esteja acontecendo inúmeras explosões. Alguns dias são difíceis e um soco na barriga e alguns gritos não resolvem muita coisa, mas sempre foi a saída mais "fácil" para lidar com um tipo específico de problema. Entre um soco e se viciar em coisas ilícitas para "esquecer" ou usar como desculpa para ser quem você é a primeira opção parece ser "melhor". Se funcionou ou não, ninguém sabe. Eu sei.

Heroes nunca mais foi a mesma música. Assim como a vida de algumas pessoas. É como uma dor de dente que vai e volta, você fica desesperado e procura resolver o problema pra parar aquela dor. O problema está "resolvido" por alguns meses ou anos, mas daqui um tempo aquele dente que foi feito canal (caríssimo por sinal) provavelmente dará algum problema no futuro e ele será arrancado. Aquele dente ficará pra sempre marcado e é muito arriscado comer amendoim ou quebra queixo. No fim das contas o importante é ter noção que aquele dente existe e que nunca é demais ter um certo cuidado com ele. E se comer amendoim ou quebra queixo, só passar para o outro lado e evitar o choque ou simplesmente ignorar. Se é fácil ou não, fica a cargo do dono do dente, afinal, o problema não é de vocês.

Para muitos é só um dente com canal. Para outros, é um problema considerável ainda mais quando a pessoa sempre tem aquela sensação "oca" e evita ao máximo comer amendoim. Mas a televisão e os filmes de hoje em dia falam tanto de amendoim que o dente (agora sem raiz) fica sensível. E aquela sensação ruim dá espaço para a raiva, algo como "porque diabos o vizinho não tem um dente com canal?". Muita raiva, muitos socos e vontade de arrancar todos os dentes e colocar uma dentatura.  Talvez a solução seja essa, colocar uma dentadura e aí sim toda a raiva e sensibilidade iriam embora num piscar de olhos! Mas toda vez que olhar no espelho e ver aquele sorriso banguela lembrará do maldito dente que começou tudo. Certos amendoins  marcam certos dentes para sempre. Cabe a nós optarmos ou por ter noção de que o problema existe com uma dose alta de sensatez ou arrancar todos os dentes e foda-se. Acho que a primeira opção é a mais plausível. Se alguns dentistas não concordam e preferem arrancar todos os dentes, lembre-se de quem vai sorrir "banguelamente" e lembrará disso por um bom tempo. Acho que no fim das contas, parando para pensar, a vida seria mais fácil sem os  malditos amendoins.

Mas a vida por si só não é e nunca foi fácil. Há momentos em que tudo está uma merda e momentos que está tudo ótimo. Os momentos da merda são os que duram mais, talvez pq damos uma atenção maior. Quando é bom está numa velocidade absurda e quase não percebemos, mas na merda... Na merda parece que é interminável. Mas é na merda que aprendemos muito mais (os médicos que pedem o EPF que o digam). E é na merda que voltamos a realidade e amadurecemos muito mais. Comi muito amendoim sozinha e não dividi com ninguém. Paguei um preço alto no meu dente em prol de poupar, mas depois de tudo, consigo me olhar no espelho com todos os meus dentes ali. A sensação é de alívio, tirando aqueles dias de merda. Aliás, os dias de merda sempre voltam, afinal, a vida é um ciclo. Mas como diria o Charlie, nós temos o poder da escolha e podemos tentar ficar bem. É difícil, mas se não tentarmos, viveremos para sempre na merda.

"Mas é como quando minha médica me contou a história daqueles dois irmãos cujo pai era um alcoólatra mau. Um irmão se tornou carpinteiro quando adulto e nunca bebia. O outro terminou sendo um bebedor tão mau quanto o pai. Quando perguntaram ao primeiro irmão por que ele não bebia, ele disse que depois que viu o que isso tinha feito ao pai nunca pegaria o mesmo caminho. Quando perguntaram ao outro irmão, ele disse que achava que tinha aprendido a beber no colo do pai. Então, acho que somos quem somos por várias razões. E talvez nunca conheçamos a maior parte delas. Mas mesmo que não tenhamos o poder de escolher quem vamos ser, ainda podemos escolher aonde iremos a partir daqui. Ainda podemos fazer coisas. E podemos tentar ficar bem com elas." Charlie

"We can be Heroes, just for one day"

Obrigada Charlie.

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