Não sou fã da Martha Medeiros. Não é por qualquer motivo em especial, apenas não acompanho o seu trabalho por preguiça. Leio uma frase qualquer da crônica da semana e se consegue me prender, leio até o final, caso contrário, página seguinte e mais propagandas de pessoas felizes e produtos maravilhosos (??) que enchem o meu peito de... Ar.
As incríveis Hulk foi a primeira crônica da Martha que me prendeu. Cheguei da rua, cansada, suada, sutiã apertado, mau humor dominando e assim que abri a revista e comecei a ler sua crônica foi... Esquisito. Parecia que a Martha estava ali, na minha frente falando todas aquelas coisas e a cada linha lida a minha boca abria mais de tão surpresa que fiquei.
Quando tinha 18 anos, assistia todos os filmes de terror numa boa. Jogos Mortais achava sensacional, adorava o Jig e sua forma de pensar e não tinha o menor medo com filmes sobrenaturais. Meu namorado achava isso sensacional e enchia o peito pra dizer "a Erika se amarra em filmes de terror!". O tempo passou e obviamente cresci e sim, a música da Sandy está tocando na minha cabeça nesse exato momento e tocará na sua em 3, 2, 1... :P Se não entendeu, joga no Youtube "Imortal". Cresci e agora por algum motivo místico tenho PAVOR de filme de terror e não consigo ver Jogos Mortais com tanta naturalidade.
Outra coisa que mudou foi o pensamento de ter filhos ou não. Batia o pé dizendo que não queria ter, que seria uma péssima mãe, que não daria certo e blablablá... Hoje me derreto com um menininho correndo na rua ou brincando com os amiguinhos no playground. E o herdeiro já tem até nome. Olha como é louco tudo isso!
Meu corpo não tem tanta elasticidade como antes. Se alguma coisa cai no chão não pego de imediato como antigamente. Tenho que abaixar de uma forma que não doa as minhas costas/pernas ou chamo alguém para pegar. Se isso são sintomas de velhice não sei, só sei que às vezes é bem triste quando isso acontece :P
Quando olho no espelho e vejo que a minha pele não é mais a mesma ou que o meu corpo está muito mais cheinho, bate um mini desespero. É como se o tempo estivesse dando um tapa na sua cara, demonstrando o quanto ele é feroz e, de certa forma, maligno. Você não aceita que aquela calça não entra mais, que aquela camiseta linda não tem do seu tamanho, que usar uma roupa X não fica tão legal por ter um corpo Y... Pior é a droga do sutiã que antes era OK e agora é quase uma algema de peitos.
Quando olho no espelho e vejo que a minha pele não é mais a mesma ou que o meu corpo está muito mais cheinho, bate um mini desespero. É como se o tempo estivesse dando um tapa na sua cara, demonstrando o quanto ele é feroz e, de certa forma, maligno. Você não aceita que aquela calça não entra mais, que aquela camiseta linda não tem do seu tamanho, que usar uma roupa X não fica tão legal por ter um corpo Y... Pior é a droga do sutiã que antes era OK e agora é quase uma algema de peitos.
E a Martha de uma forma simples captou todas essas coisas na tal crônica. Acho que faltava isso para ter a real noção de que sim, cresci (para os lados), aconteceram mudanças significativas no meu corpo e daqui pra frente a tendência é, de certa forma, piorar se eu não me cuidar. Ou simplesmente aceitar que simplesmente estou mais "larguinha" e viro o Hulk de vez em quando. Reforçar a costura talvez seja uma boa dica, Martha, mas prefiro comprar a mesma peça de roupa num número maior pq vai que...
Segue a tão falada crônica :) :
Segue a tão falada crônica :) :
As incríveis Hulk
Você nunca cogitou fazer cirurgia nos seios, nem para aumentá-los, nem para reduzi-los, pois está satisfeita com eles do jeito que são e não sente necessidade de transformar nada, ainda mais que já atingiu meio século de existência. Mas uma transformação ocorreu à sua revelia. Eles aumentaram um pouquinho de tamanho. Você não está grávida, naturalmente. Aconteceu. E, pensando bem, ficaram mais bonitos. E mais pesados, um perigo, você sabe por que. Mas a vida segue.
Um dia você está no trabalho e sente um desconforto. Não entende bem a razão. Quando chega em casa, sente a compulsão de tirar o sutiã. Anda pela casa com tudo solto, seu marido acha que você está tendo uma recaída hippie, mas deixe-o pensar o que quiser. Consigo mesma, você dialoga: será que andei comprando um número menor do que costumo usar? Passam as semanas e de novo a sensação de aperto. Não consegue mais atravessar o dia inteiro de sutiã, mesmo usando alguns muito confortáveis. Secretamente, você começa a usar os seus sutiãs mais puídos, aqueles que já estão meio folgados. Só diante da promessa de uma noite de amor é que os troca por um belo sutiã de renda bem justo, e na hora em que ele é aberto pelo felizardo com quem divide os lençóis, você solta um gemido de prazer antes da hora.
Hum. Tem alguma coisa estranha aí.
Você descobre o que é no dia em que recebe de presente uma camiseta de manga comprida. Tamanho médio, não tem erro, você usa o tamanho médio desde os 15 anos. Você a veste e está tudo ok, ela escorrega pelo tórax, e tem o cumprimento ideal. Se você for como eu, vai sair com o presente já no mesmo dia em que o recebeu. Sou do tipo que compra uma roupa numa loja e saio usando, não espero ocasiões especiais. Então, você usa a camiseta que ganhou no mesmo dia também, até que, durante o encontro com as amigas à tardinha, sente uma compressão no bíceps, igualzinho a quando seu marido a agarra enciumado para levá-la embora da festa. Na hora de erguer o braço para fazer um brinde, tem a impressão que a camiseta rasgará na altura da axila. Quando chega em casa, mal consegue despi-la, parece uma roupa de neoprene, você se sente um surfista que acabou de sair do mar. Ao conseguir, depois de 10 minutos, se desfazer da camiseta, seus braços quase falam e agradecem: obrigada por nos devolver a circulação do sangue.
Calma. Pense. Você não está mais gorda. Alguém pode explicar?
Lamento ser portadora de más notícias, mas você alargou, apenas isso. Segue linda, mas seus braços não são mais aqueles dois gravetos de antigamente e suas costas não fazem mais os marmanjos suspirarem cada vez que usa frente única. Os ombros pontiagudos, outrora tão elegantes, deram uma arredondada. Enfim, o tempo fez um preenchimento por conta própria no que antes era naturalmente delgado. Nada grave. Não tome nenhuma providência, pois isso não se resolve com dieta nem cirurgia. É o efeito colateral de continuar viva e saudável – não queria ter morrido esquelética aos 40, queria? Aumente a numeração do sutiã e siga vivendo como se nada estivesse acontecendo.
E, por cautela, reforce todas as costuras.
Um dia você está no trabalho e sente um desconforto. Não entende bem a razão. Quando chega em casa, sente a compulsão de tirar o sutiã. Anda pela casa com tudo solto, seu marido acha que você está tendo uma recaída hippie, mas deixe-o pensar o que quiser. Consigo mesma, você dialoga: será que andei comprando um número menor do que costumo usar? Passam as semanas e de novo a sensação de aperto. Não consegue mais atravessar o dia inteiro de sutiã, mesmo usando alguns muito confortáveis. Secretamente, você começa a usar os seus sutiãs mais puídos, aqueles que já estão meio folgados. Só diante da promessa de uma noite de amor é que os troca por um belo sutiã de renda bem justo, e na hora em que ele é aberto pelo felizardo com quem divide os lençóis, você solta um gemido de prazer antes da hora.
Hum. Tem alguma coisa estranha aí.
Você descobre o que é no dia em que recebe de presente uma camiseta de manga comprida. Tamanho médio, não tem erro, você usa o tamanho médio desde os 15 anos. Você a veste e está tudo ok, ela escorrega pelo tórax, e tem o cumprimento ideal. Se você for como eu, vai sair com o presente já no mesmo dia em que o recebeu. Sou do tipo que compra uma roupa numa loja e saio usando, não espero ocasiões especiais. Então, você usa a camiseta que ganhou no mesmo dia também, até que, durante o encontro com as amigas à tardinha, sente uma compressão no bíceps, igualzinho a quando seu marido a agarra enciumado para levá-la embora da festa. Na hora de erguer o braço para fazer um brinde, tem a impressão que a camiseta rasgará na altura da axila. Quando chega em casa, mal consegue despi-la, parece uma roupa de neoprene, você se sente um surfista que acabou de sair do mar. Ao conseguir, depois de 10 minutos, se desfazer da camiseta, seus braços quase falam e agradecem: obrigada por nos devolver a circulação do sangue.
Calma. Pense. Você não está mais gorda. Alguém pode explicar?
Lamento ser portadora de más notícias, mas você alargou, apenas isso. Segue linda, mas seus braços não são mais aqueles dois gravetos de antigamente e suas costas não fazem mais os marmanjos suspirarem cada vez que usa frente única. Os ombros pontiagudos, outrora tão elegantes, deram uma arredondada. Enfim, o tempo fez um preenchimento por conta própria no que antes era naturalmente delgado. Nada grave. Não tome nenhuma providência, pois isso não se resolve com dieta nem cirurgia. É o efeito colateral de continuar viva e saudável – não queria ter morrido esquelética aos 40, queria? Aumente a numeração do sutiã e siga vivendo como se nada estivesse acontecendo.
E, por cautela, reforce todas as costuras.
Martha Medeiros
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