Nunca gostei de atender telefone. Ligar pra alguém é quase um sacrifício. Penso mil vezes como e o que vou dizer, que verbos usar, se devo ser direta, se devo ser simpática... Enquanto estou pensando em todas essas coisas a pessoa do outro lado diz "alô" e eu começo a gaguejar e acabo falando tudo errado, puxo o R com mais intensidade e acabo, mais uma vez, arruinando uma ligação que era pra ser simples e rápida.

Todos os dias lido com vários advogados e estagiários de diversas faixas etárias. Personalidades tão diferentes e tão parecidas ao mesmo tempo que não tem jeito: ou eu gaguejo, ou meu sotaque fica mais reforçado, ou meu rosto começa a queimar de tanta vergonha...

E quando preciso ligar para alguém que é conhecido? É quase a mesma coisa. Fico pensando nos assuntos que devo abordar, no que posso amarrar pro assunto não morrer e é claro, penso nos verbos e nas concordâncias que devo fazer. Com os advogados não penso em assuntos, penso em como dizer o que eles querem de forma clara, objetiva e sem rodeios. Mas sempre acabo gaguejando e querendo que aquela ligação termine logo.

Se alguém liga pra mim é pior ainda. Olho o nome da pessoa, penso nos possíveis assuntos que podemos conversar e acabo desistindo de atender pois não sou uma pessoa que fala pelos cotovelos. Falo pouco, observo mais e raramente falo sem parar como várias pessoas que conheço. E, sendo bem sincera, só falo pra caramba quando bebo um pouco a mais do que devia. E mesmo assim ainda passo por uns momentos de silêncio total, só observando os outros ao meu redor. Acho que quando estamos com a água que passarinho não bebe correndo pelas veias a nossa tendência é falar, falar e falar e querer vender nosso peixe seja pra quem for. É nessa hora que mostramos o nosso lado B que sempre tentamos esconder. Uns são mais chatos que o normal, outros são mais amorosos, outros arrumam briga por qualquer motivo, outros preferem chorar no ombro amigo...

Mas mesmo um pouco alta, eu odeio telefone.
Não gosto, não adianta.

E o que mais me emputece é quando alguém tem o número do meu telefone passa para outra pessoa como se não fosse nada demais repassar. Se eu não dei meu número para aquela pessoa é um sinal de que não quero contato, não é mesmo? E mesmo que eu quisesse contato com aquela pessoa a obrigação de quem possui meu contato é perguntar antes pra mim se deve repassá-lo. Isso é etiqueta. É quase uma regra. Cagar pra esse tipo de etiqueta é como se entrássemos na casa de um desconhecido, tirássemos os sapatos e colocássemos os pés em cima da mesa, completamente nus e fedorentos dizendo "ei, sua feia, me traz algo para comer pois sou visita!". Não é uma cena ridícula? Pois é, agora imaginem repassar o telefone da sua antiga chefe para uma amiga que está precisando de emprego. É igualmente ridículo. Falta de educação e etiqueta.

Ao longo dos dias irei postar sobre regras básicas de etiqueta que as pessoas se "esquecem" para serem legais e/ou qualquer coisa do tipo que não sei ao certo o que é. Pra mim é tão gritante essa falha de etiqueta que não consigo pensar o real motivo da pessoa fazer isso. Ou ela quer sacanear, demonstrar para a pessoa que tem todos os contatos do universo ou quer ser, simplesmente, idiota e mal educada.

Lição do post de hoje: sempre que alguém pedir o telefone de alguém lembre-se: COMUNIQUE OU PERGUNTE ANTES SE É PARA REPASSAR SEUS CONTATOS. Se a pessoa autorizar, que beleza, está tudo bem. Agora, se não autorizar e você repassar lembre-se que você é uma pessoa idiota, babaca e não tem educação alguma. Que tal ir aprender algumas regras de etiqueta para ser uma pessoa melhor?

Beijos não me liga pois não te dei meu número.



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