O que você faria se na sua primeira vez um(a) guri(a) chegasse com um livro só de teorias sobre sexo?
Teoria pura, daquelas de não deixar passar nenhum detalhe. E ainda completasse com um "só vamos transar quando você ler tu-di-nho!"?
É broxante, não é mesmo?
Pois é assim que a grande maioria dos universitários se sentem, principalmente numa universidade federal. A quantidade de teoria que devemos aprender é tão broxante que desanima qualquer pessoa mesmo no curso que sempre desejou/sonhou em fazer. São mais de 5 professores em cada semestre e quantidades gigantescas de textos pra ler. E a nossa mesada vai toda para xerox e/ou na compra de livros que alguns professores nos "obrigam" a comprar.
Concordo que o universitário precisa da teoria para aprender/ter uma noção melhor a respeito de alguns assuntos que são tratados em seu curso, mas passar apenas teoria não ajuda o aluno a aprender de fato. Além de criar um aluno robô, ele começa a ter uma certa preocupação em DECORAR para a prova, afinal, são tantos textos e tantas matérias que não tem como dar uma atenção especial para aquela matéria.
Vou exemplificar melhor. Uma pessoa está fazendo cerca de 6 matérias no semestre com professores e métodos diferentes. Todos eles tem uma pasta na xerox e nesse caso, o discurso é o mesmo: "o material está na xerox. Tirem cópia e leiam". Ok. Lembramos, mais uma vez, que são 6 matérias, 6 teorias diferentes, 6 professores diferentes, 6 provas e trabalhos diferentes, 6 humores diferentes. Um deles só de você chegar 15 minutos atrasado na aula dá falta. O outro pede resumos de diversos textos na tentativa de se enganar pensando que todos os alunos leram de fato. O outro diz que todos os textos cairão na prova, espalhando a tensão e até fúria de alguns alunos. Já o outro professor pergunta durante a aula quem leu o texto e apenas 2 levantam a mão, resultando numa fúria sem causa e num discurso acalorado sobre alunos que não lêem e ainda com resgate ao passado do tipo "NO MEU TEMPO...".
Tanta teoria e nenhuma prática. E em alguns casos, teoria do PASSADO, de coisas que não usamos mais graças à tecnologia e ainda somos obrigados a ler, a fazer provas desse assunto ultrapassado e engolir sempre o sapo com as pernas arreganhadas. Ler, ler, ler, ler, ler...
E sabe quem é que nos salva dessa teoria toda? O estágio.
O estágio é, finalmente, a prática da nossa profissão. Só no estágio começamos a ter de fato uma noção do que é a profissão que escolhemos exercer pro resto da vida. E nem sempre a teoria que aprendemos na universidade é necessária ou se encaixa na nossa vida real...
A prática nesse momento é o vai-e-vém do sexo, sem o vai-e-vém ambos ficam parados com seus respectivos lugares pudendos ocupados e nada é feito. Teoria e prática CAMINHAM JUNTAS, de mãos dadas. Uma auxilia a outra, uma depende da outra. E mesmo que a universidade não disponibilize a prática (como por exemplo, aulas em salas de informática), tomar iniciativa para que o aluno comece a aprender na prática mesmo com tantos obstáculos é obrigação do professor. O aluno tem que sair da universidade não com quilos e quilos de papel, mas com quilos e quilos de aprendizado.
Hoje o post não é sobre a vida ou questionamentos que faço a respeito dela, mas sobre algo que está me incomodando há um ano e meio: o vício dos professores em apenas aplicar a teoria. Estou cansada de gastar dinheiro em coisas ultrapassadas. Estou cansada de professor pensar que aluno tem tempo livre para coçar e estudar (sendo que na realidade a coisa não funciona assim). Estou cansada de ser obrigada a aprender teoria ultrapassada. Estou cansada de ver aluno calado e continuar engolindo sapo sem questionar e lutar pelos seus direitos.
Universidades Federais do meu Brasil, por favor: MAIS PRÁTICA EM SEUS CURRÍCULOS, TEORIA é importante, mas não é tudo!
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