Futebol, praia, Cristo Redentor, Pelé, Salvador, carnaval, caipirinha, Av. Paulista, corrupção, violência, favela, povo alegre, feliz e que esbanja energia.

Do que estou falando? Ainda não adivinhou? Mais uma diquinha... Dinheiro na cueca!

Isso mesmo! Brasil! O seu, o meu, o nosso Brasil!

São tantas as qualidades, não é mesmo? E os defeitos são tão pequenos que fingimos não ler nos jornais ou mudamos de canal por estarmos acostumados com tais fatos. Ficamos estagnados, aceitamos tudo de braços abertos como se cada um fosse um mini Cristo Redentor e não tomamos nenhuma atitude para reverter ou mudar o cenário brasileiro.

Mas apesar dos pesares, nós temos o futebol! O maravilhoso futebol que move multidões e que em certos momentos pára o país só para prestigiá-lo. É quase um amor platônico: você admira, ama, investe, sonha, briga, luta, morre e até mata (se for preciso) e ele nem sabe da sua existência. De 4 em 4 anos esse amor fica mais forte e falso, as ruas ficam pintadinhas, decoradas, os restaurantes fazem promoções (a cada partida é sempre uma oportunidade única de declarar o seu amor!), as Casas Bahia ficam com os seus estoques de LCD esgotados, os fogos são insuportaveis e as pessoas ficam fora de si. De 4 em 4 anos, lembramos da importância do nosso Brasil, porém, estamos voltados apenas para o futebol, nada além disso. Viramos patriotas por puro esporte e modismo.

Enchemos a boca ao falar dos nossos craques: Ronaldinho, Kaká, Luis Fabiano, Ronaldinho Gaúcho, Robinho... Ficamos putos com a escalação feita por Dunga, como se nós fôssemos donos de alguma coisa. Enquanto isso o Brasil continua indo pro buraco e as nossas atenções sendo desviadas por uma competição que não traz absolutamente nada, aliás, COM SORTE, trará o Hexa o que não significa que terei uma mesa posta e minhas contas pagas misteriosamente. As pessoas são movidas por uma paixão que não é recíproca e que é um jogo de interesses e de bilhões rolando em contratos. Na real somos uns bocós que alimentam a fantasia esdrúxula de que tendo títulos temos tudo. E na real não temos e não ganhamos nada: nós gastamos mais e mais por algo que não mudará absolutamente nada em nossas vidas.

E mesmo assim os estádios continuam lotados, inimizades são criadas e o estrago/violência após uma derrota são certos de acontecerem. Como que algo do tipo ainda faz tanto sucesso? Simples, é o tal do amor platônico que citei anteriormente. Não importa que aquilo ou aquela pessoa (vai que alguém é apaixonada(o) pelo Richarlyson?) não sabia da sua existência, o que importa é o sentimento que está dentro de você.

Por isso comemore. Grite. Aproveite o dia ou metade do dia de folga prestigiando, dormindo, comendo, sendo patriota ou não, enfim, aproveite. Afinal, bilhões de moscas não podem estar erradas ao comerem merda, quem dirá trolhões de brasileiros ou não fanáticos por um time.

Aí quando a copa acabar, vamos lembrar do nosso Brasil não time, mas o nosso país. Esse sim nos ama profundamente e a gente caga e anda pra ele solenemente.

Boa copa a todos!


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