15 de mai. de 2015

Uma semana no "novo mundo"

Há um ano atrás estava em Porto Alegre. Obviamente não vou lembrar exatamente o que fiz no dia 15 de maio de 2014, mas chuto que estava procurando emprego, talvez jogando Hearthstone, provavelmente arrumando a casa ou indo para a dentista fazer fisioterapia. O outono em Porto Alegre é frio de manhã, faz calor de tarde e às vezes faz muito frio a noite e de madrugada. Fora as chuvas que trazem mais frio e lagartear no sol é uma delícia.

Hoje, 15 de maio de 2015, estou morando em outro país. Nunca pensei que escreveria a frase anterior. 

Ok, todo mundo já cogitou morar fora do seu país de origem, mas vivenciar isso e se programar para tal são poucos que fazem. Envolve muita coisa: família, amigos, dinheiro, coisas materiais, costumes, comida, clima, linguagem, cultura, conforto... Sair da zona de conforto incomoda e a esperança às vezes chega a atrapalhar: esperança de dias melhores, de um emprego melhor, de um governo melhor... O amanhã será diferente. E quando não é diferente? Lá vai aquele cara com o saquinho da esperança vazia no fim da fila para alimentá-la, de novo.

Há algumas semanas atrás saí da zona de conforto. Comecei desfazendo de coisas materiais: vendi, doei, passei para frente, deixei para trás. Depois foi a casinha e seus cômodos com diversas histórias e acontecimentos. Olhei para a praça da Encol e a imaginei lotada, com gaúchos lagarteando segurando seus chimarrões, me despedi das avenidas, procurei o Humberto Gessinger caminhando ou voltando do tênis. Aqueles que coloriram meus dias em PoA, continuaram (e continuam) colorindo meus dias. Dei tchau para o Laçador, não adeus. Cheguei em São Paulo e vi que meu bairro continuava a mesma coisa, tirando uma loja ou outra que era nova. Pude presenciar meu sobrinho completando um ano de vida e o outro sobrinho sendo esperto ao pegar algodão doce. Pude aproveitar a presença da minha família e vi que eles estão bem (na medida do possível). O amor deles me deu (e ainda dá) forças para continuar. Depois de ter enfrentado tudo isso o cabelo ficou mais curto, "é agora ou nunca". O Rio de Janeiro continuou lindo, os computatas, a confraria e o Alan reforçaram os laços. Com os meus sogros e a tia Rita tivemos o solo firme para levantarmos vôo. E aqui estamos.

Uma semana. Olho para a janela e vejo pessoas passando com casacos grossos. Está 10°, sensação de 8°. As crianças que estavam brincando no parque da frente provavelmente foram almoçar, já que são 12h27, 5 horas a mais do Brasil. O mesmo sol que está brilhando aqui, brilha lá na casinha da minha mãe, dos meus sogros, dos meus amigos que estão iniciando mais um novo dia. Enquanto isso, lá vou eu, sozinha, com meu inglês e alemão fraco rumo ao mercado. E de repente alguém toca a campainha do quarto:

- *mulher falando em alemão*
- Sprechen Sie Englisch?!
- Nein. Clean Room
- Ah! Ok! I need to leave the room?
- Ja.
- A moment, please.

Fui me trocar para ir no mercado.

- Sorry! Thank you!

E lá foi eu no mercado. No desespero, consegui falar e entender alguma coisa! Ufa! E paguei 2 euros numa Pringles!


Saudades imensas de todos!!!

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