23 de jun. de 2014

Carta para o meu sobrinho J.P.

J.P.,

Estava acompanhando de longe a sua festa surpresa. Vi que o tema era futebol (por razões óbvias) e fiquei aqui imaginando você correndo pra lá e pra cá apitando e aplicando cartões amarelos e vermelhos nos seus coleguinhas. Ah, antes que esqueça, às vezes uso palavras complicadas e compridas que querem dizer algo simples, então provavelmente (olha aí um exemplo) seus pais explicarão (eita) o que quero dizer. Não que você não vá entender, mas só para constar nos autos (Jesus!).

Nós dois nascemos numa época que considero ótima: é inverno, somos cancerianos, tem festa junina e consequentemente somos as pessoas mais fofas do universo. Ei, não fique bravo pelo fofo, ser fofo nos dias atuais é uma ótima qualidade!

A última vez que te vi foi no Dia das Mães do ano passado (2013). Considerando que nos vemos muito pouco por conta da distância, faz bastante tempo não é mesmo? Hoje estou um pouquinho mais próxima de você, mas ainda não tive oportunidade de visitá-lo por problemas adultos que não vale a pena citar nessa carta, tampouco contar essas coisas chatas. Prefiro dizer coisas maneiras e iradas! Tipo o presente que te dei!






Essas pantufas ficaram iradas! :-)
E essa caixa na cabeça?! Tinha que ter feito uns buraquinhos pros olhos! E confirma a tese que gatinhos adoram uma caixa! :-)

J.P., talvez você ainda não entenda direito certos sentimentos e esteja conhecendo alguns aos poucos. A saudade por exemplo, é ruim e ao mesmo tempo é bom. Mas aí você me pergunta: "como pode uma coisa ser boa e ruim ao mesmo tempo?!" e eu tomarei a liberdade de explicar. A saudade é ruim por conta da dor que ela causa, do vazio e ao mesmo tempo do aperto que dá no coração. Mas aí ela é boa porque mostra o quanto aquela pessoa é importante para nós. E nós só sentimos falta de algo ou alguém que nos marcou e ainda marca, que fez ou ainda faz diferença na nossa vida. Talvez você sinta falta dos seus coleguinhas nas férias porque é legal estar com eles, talvez você sinta falta dos seus avós, tios, primos, até dos seus pais. Entende o que quero dizer?

Apesar de não conviver com você e sempre vê-lo rapidamente, eu sinto muita a sua falta. Quando fiquei uma semana na sua casa há uns anos atrás, tive a oportunidade de ver como era o seu dia a dia, de assistir com você os seus desenhos favoritos, de jogar videogame com você e aprender depois de velha o que fazer nos joguinhos, apertar os botões certos e pular na hora certa. Mas a emoção que sempre sinto quando estou com você é quando ouço "tia". Pode parecer besteira, mas é muito importante ouvir isso, saber que você se lembra de mim mesmo respondendo com um pouquinho de vergonha quem eu sou. Eu te entendo, sei que é complicado esse tipo de situação, olhar para uma pessoa que faz tempo que você não vê, não convive mas sabe quem é. E sim, é enrolado esse pensamento, até eu me enrolei pra dizer isso! 

Se tivesse condições com certeza estaria mais presente na sua vida. Infelizmente não posso voltar no tempo para presenciar todas as suas peripécias, risadas, lágrimas, seus aniversários... E hoje, mais uma vez, não pude estar presente. Não direi que tentarei ficar mais próxima porque está fora do meu alcance no momento e não quero fazer promessas que não poderei cumprir. Mas eu juro, não é por falta de vontade.

No meu mundo fantasioso imagino que no dia 26 será um dia diferente. Acordo, seu tio Yanko faz uma festa danada por conta do meu aniversário. Tomo café da manhã com ele e sinto que uma surpresa bem grande está chegando e ele não consegue disfarçar, mas também não diz o que está prestes a acontecer. O tempo passa, almoçamos no nosso restaurante favorito e ele tira uma venda do bolso. Tampa os meus olhos, fico esperando na calçada suas coordenadas. Entro num carro e o silêncio paira, não faço a menor ideia pra onde estamos indo. Demora bastante pra chegar no local, como dizem por aqui, está tudo trancado e o carro faz umas curvas esquisitas. Quando finalmente chegamos no local é impossível não adivinhar por causa dos avisos sonoros: "Vôo Gol 1757 com destino ao Rio de Janeiro, portão 2". Já sei que estou no aeroporto! Mas esperando quem?! Continuo com os olhos vendados, esperando impaciente, perguntando pro seu tio o que ele está aprontando. De repente, ouço passos de alguém correndo e sinto um abraço de alguém mais baixo que eu. Quando passo a mão nos cabelos já sei quem é e ouço uma voz que faz meu coração disparar: é você, seus pais, sua avó Cida, sua bisavó e sua tia-avó. A alegria que sinto em ver todos ali é inexplicável!! Pergunto aonde está seu tio Max e ele não pode vir por conta do Lorenzinho que ainda é muito pequeno pra sair e fazer uma viagem dessas. Mas vocês estão ali e vão passar o meu aniversário comigo! 

Mas aí eu volto para a realidade. Sei que é inviável esse tipo de acontecimento. Mas não fico tão chateada, afinal, no mundo da fantasia tudo é possível. E a realidade é uma só, irrefutável. Mas pode ter certeza que não esperarei mais um ano para vê-lo.

E te digo com todo o amor do mundo: te amo, pequeno grande homem! Feliz aniversário! :.)

Ps: Mandarei uma outra carta bem atrasada, desculpe! Com essa confusão da copa, esqueci que os Correios também fecham!
Pps: Já assistiu Mary e Max? É um filme muito interessante e bonito!
Ppps: Desculpe pelo texto grande, qualquer coisa peça aos seus pais para resumirem! Ok, posso resumir rapidamente: estou com uma saudadona do tamanho da Rússia! Aliás, já viu o tamanho da Rússia?!

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