26 de out. de 2013

Chegadas e Partidas

Às vezes assisto o programa "Chegadas e Partidas" da Astrid Fontenelle e fico imaginando como seria o meu depoimento caso ela cruzasse o meu caminho e me abordasse.

Toda vez que vou para o aeroporto é uma história e um motivo diferente. Seria difícil resumir em tão poucos minutos, mas sim, me pego pensando nessa possibilidade e tento fazer um enredo na minha mente, porém, sempre desisto de dar continuidade. "Que coisa ridícula ficar montando enredos de situações que ainda não aconteceram", penso eu. Continuo assistindo o programa, acompanhando alegrias, tristezas, ansiedades, nervosismos que só o programa dela sabe transmitir como realmente acontece.

Antes que perguntem: não, ela não me abordou no Santos Dumont! Mas confesso que fiquei com medo de ser abordada de supetão. Provavelmente não conseguiria falar, aliás, desde ontem não consigo falar direito com ninguém. Meus dedos estão fazendo isso por mim agora e espero que me sinta mais leve e com mais coragem e força para seguir em frente...

Há alguns anos atrás a minha tia comunicou que iria morar com o meu tio em Ilhéus. Naquele momento o nosso mundo (meu e dos familiares), de fato, caiu. Foi a primeira vez que tive que lidar com a partida de alguém para um lugar tão longe e naquela época, viajar de avião era para poucos (e no nosso caso realmente não tínhamos condições para tal). Sim, tive que lidar com o falecimento de parentes, mas são situações e sentimentos diferentes.

Foi uma dor terrível.

Depois de alguns meses meu tio deu de presente passagens de ônibus para passar as férias lá. Acho que foram 32 horas de São Paulo para Ilhéus com várias paradas e a alegria e a ansiedade que sentíamos era tão grande que nem ligamos para o cansaço.

Esse trajeto São Paulo/Ilhéus; Ilhéus/São Paulo são feitos desde então e graças as promoções aéreas raramente vamos ou voltamos de ônibus. Mas hoje o trajeto mudou: Rio de Janeiro/Ilhéus. E sozinha, à minha maneira, lidei com os sentimentos da melhor maneira possível. Para alguns é cara emburrada, "bico", cara de cu... Sou canceriana, caranguejo nato que em situações do tipo se fecha e não quer ver o sol lá fora e não quer ser incomodado com perguntas e afirmações óbvias. Não levem a mal, é só o meu jeito de lidar com certas situações. Só as paredes, o chão e o lenço sabem a verdadeira reação.

E aí finalmente baixei o Insular. Desculpa Betão, mas ainda não estou com dinheiro sobrando para comprar o seu álbum, mas o farei assim que possível. E aí começou a tocar Bora e um dilúvio aconteceu, embaralhando meus pensamentos.

Dito isso, vi o café do meu irmão agora que está em Curitiba. Que dilúvio chato.

Bom, como dá para perceber, cada um está num estado e seguindo o caminho escolhido. Por mais que eu tente me acostumar com as Chegadas e Partidas de cada um, é impossível. É mais fácil quando sou eu indo embora e não quando alguém entra na sala de embarque dando tchau e fazendo corações com as mãos...

Meu vinho esquentou.


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