17 de out. de 2012
Capítulo 5
Tudo está diferente. É um diferente tão esquisito que às vezes chega a ser difícil de encarar. É como se fosse um pesadelo e que a qualquer momento você pode acordar, mas não. Pesadelos pelo menos duram por algumas horas, pesadelos reais duram por dias, semanas, meses, anos, séculos...
Desde o feriado vivo um pesadelo constante. Olho para a conta no banco e penso no dinheiro que "perdi", penso na possibilidade de perder o vôo ou do avião (por sorte ou azar, depende de quem lê isso aqui) cair e ser salva desse pesadelo. Penso no passado e em tudo que já vivi e tive que encarar sozinha para seguir em frente. Alguns arrependimentos, algumas conversas sinceras dentro da minha cabeça começam a brotar como se fosse um "está tudo bem Erika, o pior já passou".
No meu quarto olho para a parede e para as fotos de vários momentos isolados. Momentos que vivi, não vivi e que fazem parte da minha grande e enorme parede branca. Ouço Steve Vai, excluo Marillion do meu computador, evito Rush, evito Pink Floyd (principalmente se for o The Wall). Mas no fim das contas paro e penso: evitar pra que? está tudo aí pra quem quiser ver o meu pesadelo interminável, fugir agora é desnecessário.
Mudo temporariamente as fotos. Olho a foto das minhas chefes no amigo oculto do ano passado com lágrimas nos olhos, agradecendo mentalmente a cada um deles por terem cruzado a minha vida e terem feito a diferença. Apesar de nunca ter dito isso pessoalmente, penso no quanto amo cada um e continuo agradecendo. Olho para a foto do Yanko e dou graças a Deus ao Orkut por ter encontrado o amor da minha vida, o meu melhor amigo, o meu companheiro. Mesmo que um dia tudo isso acabe, tenho a absoluta certeza que a nossa história continuará porque está além da relação homem e mulher: é para a vida inteira. Olho para a foto dos guris da Confraria e suas respectivas esposas e me arrependo profundamente de ter dito que era um saco todas as discussões filosóficas sobre a vida e tudo mais. São amigos para a vida inteira e repito mentalmente: amo cada um de vocês mesmo que eu não demonstre como eu gostaria. Olho para a foto do Fradinho, um cachorro que não tinha perspectiva nenhuma de vida e hoje se tornou de fato um cachorro. Ainda bem que estava no Bar do Adão naquele dia... Olho para a foto do meu melhor amigo Alan. Quando o pesadelo começou e trocamos mensagens, tive a absoluta certeza de que sim, ele era o meu irmão mais novo. Presentes que a Unirio te dá sem você perceber...
Olho ao redor. Meu quarto, meus bichos de pelúcia, retratos, santos, canetas, armários, televisão ligada passando qualquer dejeto. Minha casa, meu Rio de Janeiro, minha cidade, meu futuro.
Tudo continua diferente. Mas é necessário seguir em frente. O que foi dito, está dito. O que foi feito, está feito. O aprendizado que cada um terá fica a critério do amadurecimento de cada um. O pesadelo aos poucos vai se dissipando, às vezes alguns pesadelos são necessários para acordarmos, para revermos os nossos passos, opiniões, sentimentos... É dolosoro, mas é necessário. E no fim das contas eu só tenho que agradecer a todos os envolvidos. Mais aprendizado adquirido, amadurecimento, pé no chão.
Obrigada.
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