Há algum tempo estou prolongando esse post, porém, acho que já está na hora de falar a respeito.
Nesse tempo que fiquei sem postar, estava observando as pessoas ao meu redor e "anotando" mentalmente como elas reagiam em certas ocasiões. Após essa "análise", comecei a pensar a respeito dos meus atos diante de certos fatos e, de alguma forma, tentei mudar certas atitudes através das anotações guardadas.

Acompanhei um evento de metal no Rio de Janeiro chamado "Metal Jam Fest". Essa era a 7ª edição e desde a 5ª que presencio e, de alguma forma, tento ajudar nem que seja costurando uma faixa ou filmando durante 4 horas em pé. Gostaria de ter feito um pouco mais, mas infelizmente só pude fazer o mínimo naquele momento.

Nesse evento, tive a oportunidade de conhecer muitas pessoas bacanas que são ótimos músicos e/ou estão evoluindo para chegar na escala do ótimo. Tive os meus momentos de "avaliadora" em algumas músicas e confesso que realmente sou um porre em relação à isso no melhor estilo do "se não for como no original, não está tão bom assim". Aprendi que ser um porre não dá certo e que aceitar algo que está decente era uma das lições de casa.

Citei resumidamente o evento apenas para ilustrar um dos pontos que quero abordar: a falta de educação.

Em um evento de grande porte como esse, algumas pessoas vão não apenas para aproveitar o show, mas para tumultuar a diversão dos outros. Outras, vão na onda dessas pessoas apenas para ser "o tal" ou "o cara sem noção" para se destacar e atrair mais pessoas do tipo em prol de algo que nem eu, nem você e talvez nem eles saibam. Apenas querem, falando o português bem claro, foder a noite de alguém com um gesto, um chute, uma ombrada, com uma latinha sendo jogada sem direção alguma (e que fatalmente vai em direção da cabeça de alguém) e em casos raros, até dar em cima da namorada de outra pessoa.

Fora isso, os problemas também acontecem em lugares que não deveriam acontecer como em cinemas, praças de alimentação, filas de ônibus/banco, hospitais, supermercados...

Certa vez, presenciei no McDonald's do shopping Rio Sul uma senhora dando um escândalo totalmente sem sentido: após beber quase a coca-cola toda, foi reclamar com a atendente e com o gerente aos berros que aquilo era coca-cola normal e não zero, demonstrando para todos os presentes que ela havia esquecido a educação em casa. Ela alegava que era diabética e esqueceu de avisar, talvez pensou que as atendentes eram adivinhas e saberiam que para ela o melhor é coca-cola zero. Eu ouvi o lado das pessoas maltratadas e a minha vontade era de sair correndo atrás daquela senhora e meter um belo de um tapa na cara, mas ainda bem que a minha educação está sempre presente. Coube a mim tranqüilizar as gurias dizendo um "é povo da zona sul, respirem fundo que no fim tudo dá certo" e a conversa foi encerrada com um "eu odeio trabalhar aqui, mas preciso do dinheiro para pagar as contas".

Já no cinema, sempre acontece algum problema. Ou as pessoas colocam seus pés imundos em cima das cadeiras ou falam alto como se estivessem sozinhas na sala. Já vi rapazes (?) falarem ao celular como se estivessem na rua, rapazes gritarem e xingarem as outras pessoas porque pediram silêncio, mulheres (?) gritando, rindo e falando alto demonstrando total falta de educação...

No quesito fila então, acho que é um dos problemas que mais me afetam. Sempre que posso, pego um ônibus da faculdade que vai sempre cheio, logo, chego cedo na fila para ir sentada e não ter maiores problemas. Quem disse que chegar cedo é sinônimo de tranquilidade? A turma de medicina em peso, furam a fila na frente de quem quer que seja como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo, provavelmente por se sentirem mais importantes do que as outras pessoas presentes. E em uma das discussões, eles ainda alegaram que "agora o ônibus tem mais lugares, furar fila não diferencia em nada". Realmente não diferencia, mas a falta de educação com quem chegou cedo e ainda teve que aturar 20 cabeças entrando na sua frente me emputece.

Tudo isso só para se mostrar e para vender seu peixe podre. Obviamente os seus "consumidores" são da mesma isca, logo, é tudo peixe podre do mesmo saco.

E no transporte público então? Quantas pessoas fingem estarem dormindo só para não ceder o seu lugar para uma pessoa idosa/grávida/com deficiência? Pior do que isso só as pessoas que sentam em nosso lugar e não agradecem ou ao menos pegam as nossas bolsas/mochilas/sacolas para segurar, no qual a premissa do "Gentileza gera Gentileza" vira apenas uma frase de camisa famosa. E quando o motorista acorda de mau humor e sai freando como se estivesse levando uma boiada? Fora aquelas pessoas que ficam olhando pra ontem e não são capazes de pegar uma bolsa, sacola ou qualquer coisa do tipo para ajudar quem está em pé?

E quando as pessoas dizem bom dia e não recebem um bom dia de volta?
E quando compram/recebem algo e não falam um "brigado" cortado? Sim, cortado, pois na verdade se diz OBRIGADO e não "brigado", afinal, você não está brigado com ninguém certo?
E quando as pessoas esbarram em você e não pedem desculpas?
Segurar a porta do elevador, dar descarga e mandar o jacaré embora (leia-se não deixar o cocô boiando), enrolar o absorvente no papel higiênico, tirar meleca no banheiro, arrotar/peidar no banheiro (não em transporte público, pelo amor de Deus), JOGAR O LIXO NA LIXEIRA OU GUARDAR DENTRO DA BOLSA/MOCHILA/SACO/O RAIO QUE O PARTA, recolher a bandeja que você deixou em cima da mesa da praça de alimentação, dizer um "não posso ajudar hoje, estou sem dinheiro" para o mendigo/menino de rua que pede ajuda, levantar alguém que caiu no chão, ajudar um cego a atravessar a rua, COLOCAR O FONE NO CELULAR E NÃO OUVIR MÚSICA ALTA ÀS 7H DA MANHÃ PARA NÃO ATRAPALHAR O PRÓXIMO (afinal, não é todo mundo que gosta de ouvir "Senta e rebola pra ficar com a perna grossa / Senta e rebola tcha tchucutchum, tcha tchucutchum")...

Enfim, está na hora das pessoas tirarem a educação do armário e vestir essa camisa, pois ultimamente a situação está crítica. Não adianta adotar a política do "não é problema meu", afinal, se você adota essa postura só aumenta a quantidade de pessoas "cegas" e sem educação. Nós devemos fazer a diferença, seja com um pequeno ou grande gesto. Fazer a diferença na vida de alguém e deixar registrado em sua memória que você foi diferente do resto é a melhor recompensa que alguém poderia ter. É a pessoa relembrar em uma conversa de uma guria/rapaz simpática(o) que pegou suas sacolas pesadas, é relembrar daquela adolescente que parecia ser revoltada (mas era só a embalagem) e que cedeu o seu lugar gentilmente para uma senhora de idade sentar, é você ajudar um deficiente visual a atravessar a rua mesmo estando atrasado... Nós devemos fazer a diferença na vida das pessoas, nós devemos demonstrar para aquele que não colabora o certo a ser feito, pois às vezes, o que essa pessoa mais precisa é de esclarecimento e de um exemplo a ser seguido.


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