Sou do tipo de pessoa que odeia faltar em qualquer aula que seja, mesmo com algum compromisso envolvendo consultas médicas ou qualquer coisa considerada "importante". Não gosto de faltar, acho que isso vai contra os meus princípios além de me deixar com 550kg na consciência.

Quando soube que teria o show do Rush no Brasil cheguei a conversar com um dos professores pra saber se estaria "liberada". Disse que era um evento importante e ele perguntou em qual congresso iria e eu um pouco sem graça falei que na verdade iria em um show de uma banda que gosto muito. Perguntou qual era e respondi que era o Rush, fazendo-o rir e ainda por cima ele disse que "se fosse um Apocalyptica estaria perdoada, não gosto de Rush mas vou relevar". Era um fato: tudo estava conspirando a favor para que eu fosse ao show. Ou melhor, aos dois shows.

Porém, tinha um outro problema: conseguir dispensa do trabalho na sexta-feira dia 08/10. Como fazia mais de 3 meses que não via minha família, uniu o útil ao agradável e acabei conseguindo ser liberada na sexta-feira, confirmando, mais uma vez, que era o destino conspirando a favor.

Comecei a economizar e apertei o máximo que pude o meu orçamento para que conseguisse ir aos dois shows tranquila e sem a preocupação de ficar dura no meio do mês. E para completar o meu auge de sorte, meu namorado me deu de presente ingresso da "pista de rico" pro show do RJ e acabei comprando o ingresso pra arquibancada em SP (não tinha dinheiro pra ir na "pista de rico", como já ia no show do RJ, não fiquei tão chateada).

O tempo se arrastava. Peguei o meu calendário (que fica atrás da porta) e comecei a riscar os dias que iam passando, na esperança de fazer o tempo andar mais rápido. Como estudo e trabalho, os dias passaram voando e quando me dei conta, já estávamos em outubro.

Na semana do show, tudo correu bem. No dia que fui para SP, cheguei em casa 7h da manhã, conversei um pouco com a minha mãe e logo em seguida fui cortar o cabelo, matei as saudades da minha querida Avenida Itaberaba e da comida da minha mãe. Segui com meu namorado para a padaria - ponto de encontro do pessoal do test 4 echo - para pegar minha camisa e rever algumas pessoas que gosto muito e, depois de meses (uns 9 meses) revi meu irmão que me apresentou a melhor banda do mundo. A gente conversou pouco, não queria cortar o barato dele de rever todo aquele pessoal que fez e ainda faz parte da história dele. Ou melhor, da nossa história. Enfim, fiquei meio que de cantinho assistindo de camarote a alegria daquelas pessoas, os sorrisos bobos e as piadinhas que iam e vinham a todo vapor.

Seguimos em direção ao Solo Sagrado, digo, Morumbi. Nunca tinha ido ao estádio do meu time de coração, então foi um presente dobrado. O estádio é bem grande, porém, quando cheguei na arquibancada percebi que estava "vazio". A arquibancada laranja tinha umas 15 pessoas, a vermelha ia enchendo conforme o tempo passava e a "pista de rico" e a pista comum estavam cheias. A arquibancada azul também estava cheia, então só faltou mesmo a arquibancada laranja pra ficar "completo".

Fiquei perto do placar e dava pra ver bem o palco. O tempo não passava de jeito nenhum e o frio estava começando a apertar - o clima do RJ me tirou o efeito hard core do frio de SP - e eu e meu namorado tentávamos falar de qualquer coisa só pro tempo passar. Falávamos até da poça de água que estava do nosso lado, como se adiantasse alguma coisa. Olhava pro relógio e a hora passava de 2 em 2 minutos me dando um desespero danado. Meu namorado queria a todo custo tentar entrar na pista comum com sua lábia carioca, mas fiz ele desistir após provar que a segurança de SP não estava ali de brincadeira. Pra vocês terem uma noção, quase que o meu cd do SuperOverDrive ficou com a policial, pois segundo ela, era um objeto cortante. "Mas o cd nem é da banda, um amigo que me deu de presente!!" "Tudo bem, da próxima vez não traga nada do tipo". Fora que muitas pessoas precisaram beber litros e litros de água pois não podiam entrar com garrafas de plástico no estádio.

Cara de boba, né? Porque será? =)


Que frescura, pensei. Parece até um estádio de viadinhos. Ops. E olha que sou são paulina heim? =P

Enfim, finalmente as luzes de apagaram. Quando começou a intro+ The Spirit of Radio, eu chorava tanto que não conseguia falar. Era uma emoção tão forte, uma mistura de sentimentos tão grande que não cabia dentro de mim. De repente minha história começou a passar na minha mente nesses 10 anos que conheço a banda. Tantas histórias, tantas coisas boas essa banda me trouxe, que não conseguia falar absolutamente nada, só chorava de alegria. Minha vontade era de sair voando e agradecer ajoelhada aos três veinhos por toda a mudança boa que eles causaram na minha história e, também, de agradecer ao meu irmão por ter me apresentado, mesmo que de tabela, a melhor banda do mundo. Minha vontade era de abraçá-lo, de gritar, chorar, cantar junto com ele, mas infelizmente não tive essa oportunidade. Mas ele estava na minha cabeça o tempo inteiro.


Meu irmão ali!

Enfim, show passando, Presto tocando e eu toda boba rindo para eles. Os veinhos estavam do tamanho de uma formiga e mesmo assim não deixei de sorrir um segundo sequer, tirando em alguns momentos que algumas lágrimas caíram. Ao meu redor, tinham pessoas de diversas faixas etárias, guris de 16 anos, rapazes, mulheres de 30 anos, homens de 40 anos. Algumas pessoas não faziam a menor idéia do porque estavam ali, mas mesmo assim fiquei feliz em ver que mais alguns ingressos foram vendidos e que provavelmente a vida deles irá mudar pra melhor após aquele show.

Intervalo. Comecei a limpar meu óculos e de repente um rapaz me atropelou e quase derrubei meu óculos na arquibancada debaixo. Fiquei puta da vida, mais ainda quando soube que ele cuspiu nas pessoas lá debaixo. Pra piorar a situação, um amigo dele saltou em cima dele e acabou caindo em cima do meu pé, causando uma dor absurda e insuportável. Meu namorado começou a rosnar e pensei "bom, se eu falar que doeu, provavelmente não vou ver o resto do show porque ele vai jogar o cara lá embaixo... Vou ficar pianinho!" e esperei o cara ir embora pra confirmar que me machucou mesmo. Depois a raiva dele passou, o show reiniciou e eu esqueci dos dois idiotas. É triste ver que ainda tem pessoas que não sabem aproveitar um show e precisam de uma cerveja, maconha ou qualquer coisa do gênero para, de alguma maneira, "aproveitar" um show. É triste, mas infelizmente a humanidade tá precisando de um restart... E não é da banda que estou falando, senão é caso perdido e estamos literalmente na merda.

Cara, foi lindo ver The Camera Eye, Witch Hunt, Vital Signs... Foi algo muito surreal. Foi mágico.
Fiquei triste porque o público não agitou tanto quanto gostaria, mas acredito que os veinhos tenham saído de SP com um saldo bem positivo. Não vou ficar comentando música após música, até porque o som estava um pouco embolado e em alguns momentos ouvi alguns errinhos básicos. "Até os mestres erram", pensei. E fiquei feliz ao ver que eles são gente como a gente e entendi de uma vez por todas o sentimento Limelight de ser.

====================================================================

Show do Rio de Janeiro

O final de semana passou voando. Nem fiquei triste no fim do show de SP, afinal, domingo teria mais!
Cheguei no RJ domingo, 06h. Deitei na cama e não consegui pegar no sono de tanta ansiedade. Levantei, liguei o computador do meu namorado e fiquei jogando vários jogos, desde Killing Floor até o Minecraft, um dos meus vícios atuais. Nós compramos os ingressos com o cartão de um amigo (naquele esquema do Show Pass) e tinha pedido pra ele ir na mesma hora que a gente para não dar nenhum problema. Porém, o problema começou a dar as caras...

Quis sair de casa depois do almoço. Chegamos na Apoteose por volta de 14h e a fila da pista comum já estava formada com umas 30 cabeças. A "pista de rico" do Show Pass não estava formada ainda e até os carinhas da T4F falaram pra gente voltar mais tarde pois abririam os portões a partir das 17h. Ir pra casa? Nem fodendo, amigo. E ficamos lá esperando a fila de formar. De repente, veio um cara gente boa perguntando pros carinhas da T4F onde a fila do Show Pass iria se formar, dizendo que mandaram ele pra aquele lugar e ele estava em outro, em suma, um rolo danado. Começamos a conversar e nisso chegou mais um cara gente boa com sua filha, e agora éramos 5 esperando que alguém desse alguma luz sobre pra onde ir, o que fazer, onde esperar...

Depois de perguntar, ir e voltar, ficamos uma arquibancada à frente das outras pessoas, em uma fila já formada por algumas pessoas que compraram pela Show Pass. Ficamos esperando lá até os portões abrirem e nada do meu amigo chegar.
Nisso o meu namorado saiu para entregar os panfletos de um evento que ele participa, a Metal Jam, enquanto fiquei esperando na fila. A hora foi passando, deu 17h e abriram os portões para que o povo formasse uma outra fila para passar o cartão. Comecei a entrar em desespero, pois estavam fechando a rua de uma forma que ninguém mais passasse e o meu namorado estava do lado de fora. Liguei pra ele, pedi para que voltasse, ele deu um olé nos policiais e acabou rasgando a camisa após pular a cerca de metal - o que me deixou muito chateada, ainda mais porque ele se machucou. Ele entrou, mas e o nosso amigo?

O Rush entra no palco e começa a passar o som. Comecei a chorar feito criança, com medo de não conseguir ficar na tão sonhada grade. Fiquei pensando no quanto seria injusto ficar longe de novo, que tudo daria errado, que não conseguiria ficar na grade...

O tempo foi passando e de repente me aparece o nosso amigo correndo. E ele só conseguiu entrar graças a lábia carioca do meu namorado, caso contrário, teríamos que voltar pro início da fila logo no início da Apoteose. Sério, foi um alívio vê-lo. Até a segurança gente boa me deixou entrar com um lanchinho (lá também tinha que consumir tudo na hora) e ela falou um "pode entrar, você já sofreu demais hoje" e dei um abraço nela agradecendo por me deixar entrar com 3 pãezinhos com queijo.

Começaram a liberar a entrada da pista premium para os que tinham o ingresso em mãos, causando uma gritaria e reclamações de todos os lados do pessoal da fila do Show Pass. Eu fiquei putíssima, após tanta agonia ficar esperando ainda mais era o cúmulo. E liberaram.

O que eu fiz? Peguei minha bombinha de asma, respirei fundo e...

...Saí correndo.

Minha asma atacou.

Continuei correndo.

Não conseguia respirar.

Continuei correndo.

"Mo! você tá bem? Consegue correr mais?"

"......................... *ofegante*"

Cheguei na grade. Fiquei debruçada tentando respirar durante 10 minutos. Pensei que iria morrer e se eu morresse, ficaria muito puta. Porra, acabei de chegar na grade e já vou bater as botas? Nada disso.

MANHÊ, TO NA GRADE!!

Recuperei o fôlego e fiquei esperando meu irmão chegar. Na passagem de som liguei pra ele mas acho que não entendeu direito o que estava acontecendo, mas mesmo assim liguei e deixei ele ouvindo pois queria que ele estivesse "do meu lado" naquele momento importante.

As horas, finalmente, passaram voando. Estava de frente pro Alex e não queria sair de jeito nenhum, só se fosse na maca.

Alex quando pegou a camisa do Brasil


Esquerda pra direita: Mulher do Pedro, o amigo tão falado (Paulo), eu, Mozico e o Pedro

O show foi maravilhoso. Chorei de novo, mas depois era só sorriso. Em certos momentos, o Alex olhava pra mim e eu mexia com ele, o Geddy ficava na minha frente e mexia a cabeça junto comigo fazendo caras e bocas... Eu pulava igual uma louca, gritava, batia palma, cantava, chorava, ria, bati os braços na grade (o que resultou em alguns machucados from hell), em suma, pela primeira vez, estava assistindo de perto a melhor banda do mundo e estava verdadeiramente feliz e realizada.

Algumas pessoas reclamaram do setlist, mas quando tu pára pra analisar, tudo se encaixa. A sequência de Faithless, BUB2 e Freewill acredito que tenha sido uma das sequências mais fodas que eles já tenham feito. E a Limelight logo após três músicas fodonas (Tom Sawyer, Red Barchetta e YYZ) é só a confirmação, mais uma vez, de que eles são pessoas comuns e que só mudaram a vida de milhões de pessoas. Graças a eles, me aproximei mais do meu irmão e pude dividir esse momento tão feliz com ele. E fiz questão no fim do show de agradecê-lo por ter me apresentado a melhor banda do mundo. Me segurei muito pra não chorar nos braços dele e até cheguei a me afastar só pra deixar meu lado racional me dominar, mas é um fato: graças a ele e a tudo que ele me ensinou, boa parte do que sou devo a ele e aos três veínhos. Obviamente toda a minha família me ajudou e foi o diferencial, mas só o meu irmão e esses três veínhos captaram e mudaram a minha vida totalmente pra melhor. E serei eternamente grata por isso.

Finalmente vi a melhor banda do mundo. Finalmente realizei meu sonho. E que venha o próximo show...


This entry was posted on 20:34 and is filed under . You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

0 pontos de vista: